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Pais suspeitos de matar bebê de 9 meses vão a júri popular na Bahia

Os pais do bebê de nove meses que morreu de traumatismo craniano em 2016 no Prado, no Sul da Bahia, vão a júri popular. Segundo a acusação, o garoto foi agredido pelos pais, que negam e afirmam que o menino caiu de um carro em movimento durante uma viagem da família. A decisão foi de desembargadores do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), no último dia 21, após recursos do Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA).

Na decisão, a Justiça reformou a sentença que inocentou Jorge Mendes Carneiro Júnior pela morte do filho. Ele foi absolvido pelo crime em júri popular em maio do ano passado. Já Erisângela Santos Silva, que chegou a ser presa pelo crime, foi solta porque na época se entendeu que não havia provas contra ela. Agora, ela enfrentará julgamento e Jorge vai a novo júri. Os desembargadores entenderam de maneira unânime que a sentença foi contrária de maneira manifesta às provas dos autos.

O garoto morreu em 29 de outubro de 2016, na estrada que liga Prado a Itamaraju. Segundo o MP, em meio a uma discussão, o casal agrediu o filho, o que causou sua morte. "Os pais alegaram que a criança havia se desprendido da cadeirinha do bebê conforto e caído na pista. Contudo, as provas são no sentido de que a assassinaram", diz o promotor de Justiça Moisés Guarnieri dos Santos.

Os dois serão julgados pelos crimes de homicídio duplamente qualificado por motivo fútil e emprego de recurso que impossibilitou a defesa da vítima, além de fraude processual, já que são suspeitos de alterarem a cena do crime no intuito de modificar a evidência dos fatos.
Simulação
A polícia concluiu em dezembro de 2016 o inquérito sobre a morte do bebê Pedro Silva Carneiro, de 9 meses, que morreu no Prado, no Sul da Bahia, em outubro. Acusados pela morte da criança, os pais Jorge Mendes Carneiro Junior, 41 anos, e Erisangela Santos Silva, 38, tiveram a prisão preventiva solicitada à Justiça, segundo a TV Santa Cruz. O casal já está preso há pouco menos de um mês por conta de um pedido de prisão temporária. Os dois negam o crime e continuam alegando que o bebê caiu do carro em movimento durante uma viagem.

Uma nova perícia foi feita no carro da família e encontrou sangue no banco da frente do veículo e na cadeirinha do menino. Antes, a polícia já havia feito exumação do corpo do bebê para fazer exames, que, segundo o delegado Júlio Telles, confirmaram a hipótese de agressão. Uma reconstituição da morte da criança também foi feita. 

"A princípio a mãe relata que ela foi a única exclusivamente que teria pego essa criança, no momento que ocorreu o fato. A criança teria caído do veículo, e ela retorna com a criança para o banco da frente, o lado do carona, com a criança já depois de ter sofrido a queda. Logicamente já era esperado encontrar uma certa secreção, mancha de sangue, no banco da frente, onde a mãe vinha transportando a criança. O não esperado era achar alguma coisa no banco traseiro, ou no bebê conforto, que aí vai cair por terra toda a versão que ela veio relatando. Fizemos essa reação com luminol (...) e conseguimos constatar manchas de sangue em outros locais", disse o perito Bruno Melo em entrevista ao Teixeira News. A perícia tentará fazer exames no material recolhido para confirmar que se trata de sangue, mas o perito alerta que os resultados podem não ser conclusivos por conta do tempo passado. 

Para o delegado, as lesões são claramente incompatíveis com as versões dos pais. "Não vou nem responder, deixo para quem tiver assistindo imaginar se uma criança pode cair do carro, quebrar a nuca, quebrar os ossos da região da cabeça, quebrar o queixo e não ter um ralado. Ela caiu de um carro, um veículo em movimento, segundo o pai, de um veículo parado, segundo a mãe, também há de se esclarecer isso. Certo, caiu de um veículo parado, não tem escoriação. Quantas vezes ela caiu para ter essas duas faturas, em pontos distintos?", afirma.

De acordo com o delegado, a perícia mostrou que o pequeno Pedro tinha fraturas na face e na cabeça, resultado de um chute ou murro na boca. Ele também tinha fraturas em três ossos do crânio. Os ferimentos são incompatíveis com uma queda de veículo em movimento, segundo a polícia.

O caso foi em 29 de outubro. Os pais afirmaram que o garoto viajava na cadeirinha e teria caído da caminhonete em movimento, na estrada de Prado. Ele chegou a ser socorrido para a UPA da cidade, mas já chegou sem vida. A polícia começou a desconfiar da versão quando descobriu que o pai do bebê tinha histórico de violência doméstica. 

O corpo do bebê foi exumado em 22 de novembro e a reconstituição aconteceu no dia 29. O delegado explicou que durante a reconstituição ficou provado que seria preciso uma força acima de 20 kg para provocar a inclinação da cadeirinha necessária para o bebê cair - além disso, ele precisaria estar sem cinto e os pais passando em uma curva acentuada a 80 km/h. O bebê tinha cerca de 12 kg. Testemunhas também afirmaram que viram os pais afivelando o cinto do bebê na cadeirinha.

O delegado diz que quando os pais foram confrontados com a informação de que a exumação confirmava uma agressão ao bebê, não souberam explicar. Ao longo dos depoimentos, ele afirma que houve várias contradições. A polícia ainda não sabe precisar quem teria agredido Pedro e como a situação se desenrolou.



*Correio da Bahia





























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