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Saiba quais são as doenças que só as mulheres têm e os sintomas


Começou com o incômodo da acne. As espinhas no rosto tinham aumentado muito e, para a professora e jornalista Bárbara Gomes, 31 anos, significava que era o momento de fazer um tratamento. No entanto, embora sempre tivesse menstruação desregulada – chegando a atrasar até 45 dias – o diagnóstico só veio nesse momento: foi quando ela descobriu que tinha a síndrome dos ovários policísticos. 

“Até então, não aparecia no ultrassom. Eu fazia acompanhamento ginecológico e nunca apareceu”, conta, lembrando da ocasião, há seis anos. Naquela época, já tinha um filho de três anos. Hoje, Bárbara não pode ficar sem um anticoncepcional específico – uma pílula que combina as substâncias etinilestradiol e acetato de ciproterona e que é conhecida pelo tratamento à síndrome. Se não usar o medicamento contraceptivo, ela já sabe:  vai ter que lidar com cólicas e uma forte Tensão Pré-Menstrual (TPM).



Como Bárbara, milhares de mulheres convivem com as dores e doenças próprias da condição feminina diariamente. São patologias e sintomas que acometem somente a elas - além da síndrome dos ovários policísticos, endometriose, miomas e até mesmo as famigeradas cólicas menstruais fazem parte da vida das mulheres. 

As doenças do aparelho reprodutor feminino se manifestam geralmente por dores pélvicas agudas ou crônicas, como explica o coordenador do serviço de ginecologia e técnico do grupo CAM, o médico Airton Ribeiro.

“A dor crônica é aquela que permanece com a mulher por muito tempo, já a dor aguda é pontual. Mas dor não é doença, é um sintoma, tem que investigar o que está por trás”, diz o ginecologista. 

Entre as dores crônicas, as mais conhecidas pelas mulheres são as cólicas. Elas podem ser intensas por diversos motivos, como alta formação de coágulos, por exemplo. Desde que passou a tomar o anticoncepcional, a jornalista Bárbara Gomes deixou de sentir esse desconforto. 

O problema, então, passou a ser outro: se tornou refém do medicamento. “Enquanto estou tomando, tem um efeito colateral chato que é a náusea que a pílula causa. Mas o meu problema é que esqueço e não posso usar outra alternativa de contraceptivo, como o adesivo, por exemplo. Posso confiar no método para controlar (a síndrome), mas não para não engravidar”. 

Além disso, ela planeja, daqui a dois anos, ter um segundo filho. Sabe que, quando chegar a hora, vai ter que parar com o remédio. “Sei que não vai ter jeito e vou ter que passar pelo processo chato do rosto todo manchado”. 

Endometriose
Outras causas de sofrimento são a endometriose, doença que se espalha por várias partes do corpo e causa dor após o período menstrual, ovulação dolorosa ou miomas perto de terminações nervosas. Já a dor repentina pode ser causada por rompimento ou torção de cistos de ovário, hirdrosalpinge (líquido nas trompas), doença inflamatória pélvica, entre outras. 

No caso da endometriose, uma das pistas pode ser justamente a cólica menstrual, de acordo com o ginecologista e obstetra José Carlos Gaspar. Embora elas sejam dores consideradas normais no período da menstruação, também podem ser consideradas ‘atípicas’ quando, entre outros aspectos, aparecem algum tempo após a mulher ter começado a menstruar. 


“Se elas não têm, mas ao longo da vida começam a ter e essas cólicas vão se intensificando, esse é um sintoma de que ela pode estar desenvolvendo a endometriose. As mais intensas interferem na qualidade de vida e são progressivas, à medida que as menstruações vão acontecendo. É um desconforto que interfere na atividade sexual e pode estar relacionada à dificuldade para engravidar”. 

No entanto, há muitas doenças que causam dor pélvica e nem sempre essa dor tem origem ginecológica, como alerta o ginecologista Airton Ribeiro, do grupo CAM. Doenças como diverticulite (do trato gastrointestinal), apendicite e obstipação crônica (a conhecida ‘prisão de ventre’) também podem ser confundidas com doenças ginecológicas.

Preconceito
Ainda que todas estas sejam doenças do aparelho feminino sejam reais, há quem enfrenta muito preconceito. É o caso da administradora Muriel Macedo, 33 anos. Diagnosticada com endometriose, doença em que tecido do endométrio cresce fora do útero e inflama, ela sofre com fortes dores na região dos ovários, intestino e reto. A dificuldade de diagnóstico da enfermidade fez com que muitos médicos minimizassem o seu problema. 

“Eu sentia muita dor. Ia ao ginecologista e todos diziam que eu tinha gases, que estava tudo normal comigo. Eu ouvi de tudo. O médico não achava a causa da dor, dizia que estava tudo normal, que era emocional. Eu pensei que estava louca”, revela sobre a peregrinação de 16 anos em consultórios e hospitais, sem ter um diagnóstico correto. 

Depois de ter finalmente descoberto o que lhe causava tanto sofrimento, passou a enfrentar uma segunda batalha: a de encontrar um tratamento que funcione. Ela já usou anticoncepcional, interrompeu a ovulação, DIU e nada parece adiantar. Enquanto percorre essa estrada, enfrenta dores quase diárias, que se intensificam após a período menstrual.

“É uma dor que te paralisa. Você não tem reação. Eu cheguei ao ponto de chegar em depressão por causa da doença. Na escola, os meninos me chamavam de ‘Santa Dor’, porque eu só vivia com dor”,  afirma Muriel.

Além disso, ela reclama que falta preparo dos profissionais de saúde, que pensavam que ela estava fingindo porque não conseguiam identificar a causa da doença. Por isso, hoje evita ir para emergências e toma analgésicos e antinflamatórios em casa. 

Apesar de tudo, ela tenta viver a vida da maneira mais normal possível. Não deixa de trabalhar ou se divertir por causas das crises. “O nível da dor não melhorou, mas eu entrei num nível de compreensão da doença. Eu parei de falar disso. Tem dias que eu estava chorando porque estava com dor, mas eu precisava estar produtiva. Nunca coloquei atestado no trabalho por causa disso. E, se eu vou trabalhar com dor, por que eu vou deixar de outra coisa?”, conta, explicando que mesmo em crise não deixa de aproveitar viagens, passeios e outros momentos de lazer. 

A Tensão pré Menstrual ou Síndrome pré menstrual não é somente um nervoso extra por causa das alterações hormonais, mas todo um conjunto de sintomas que aparece antes do fluxo menstrual. “Tem mulheres que tem enxaquecas, edemas, mastalgia (dor nas mamas)”, explica a ginecologista Gisele Santos, da Hapvida. Outros sintomas podem ser humor depressivo, excesso ou falta de apetite, acne, cansaço e dificuldade de concentração.

Porém, há maneiras de aliviar o transtorno. “A mulher não precisa passar por isso sozinha. Quando ela perceber que a TPM está atrapalhando a sua vida, deve procurar um médico. Existe tratamento”, aconselha. Exercícios físicos e alimentação saudável ajudar a melhorar os sintomas. Porém, pode ser preciso tratar o transtorno com anticoncepcionais e até mesmo com remédios psiquiátricos. 

Conheça as principais doenças 

Endometriose – É quando as células do endométrio (uma mucosa do útero), ao invés de serem eliminadas durante a menstruação, caem nos ovários e começam a se multiplicar, provocando sangramento. Entre os sintomas, estão as fortes cólicas (cuja intensidade pode aumentar à medida que a doença avança), dores durante as relações sexuais e infertilidade. Uma das formas de tratamento é o uso da pílula anticoncepcional sem intervalos. 

Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) – Há um desequilíbrio hormonal que provoca a formação de cistos. Só que, enquanto no processo de ovulação normal, os cistos desaparecem a cada ciclo menstrual, quando a mulher tem SOP, os cistos permanecem no organismo. Eles alteram a estrutura dos ovários, tornando-os mais largos e provocando a secreção de hormônios masculinos em excesso. Os sintomas incluem alterações na menstruação, aumento de pelos, obesidade, acne e infertilidade. O tratamento vai depender dos sintomas apresentados. 

Mioma – É um tumor benigno uterino cujo tamanho pode variar. Não existe uma causa específica para o surgimento de um mioma. Quando há sintomas, pode levar ao aumento abundante do fluxo menstrual, dores, anemia, fertilidade, aborto e desconforto urinário e gastrointestinal. O tratamento pode incluir a retirada do útero ou do mioma através de cirurgia. 

Câncer de colo de útero – É um câncer cervical cujo principal agente é o papilomavírus humano (HPV). Os principais sintomas são sangramento vaginal e corrimento vaginal escuro e com mau cheiro. Quando a doença chega a um estágio avançado, é possível, ainda, ter hemorragias, dores lombares e abdominais e massa palpável no colo de útero. 




*IBahia

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