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'Minha mãe não dorme, só chora', diz irmã de baiano desaparecido em Brumadinho

A baiana Graziela Coutinho, 35 anos, estava em casa quando o celular vibrou e, na tela do aparelho, apareceu uma mensagem enviada pela cunhada: “você está vendo a televisão?”. Sem entender, ela ligou a TV e viu as imagens da tragédia provocada pelo rompimento da barragem de Brumadinho, na Região Metropolitana de Minas Gerais. Foi aí que o coração dela apertou. Até o início desta segunda-feira (21), havia confirmação de 60 mortos, 291 desaparecidos e 192 resgatados.

“Meu irmão é mecânico industrial e estava trabalhando há quatro meses na Vale, através de uma empresa terceirizada. Falei com minha cunhada na mesma hora, mas ela estava muito nervosa. Foi um momento muito difícil”, contou Graziela.

O baiano Tiago Coutinho, 32, é um dos quase 300 desaparecidos depois da tragédia - além dele, mais quatro baianos sumiram no desastre em Brumadinho. Pouco antes da barragem romper, ele ligou para Graziela para saber como a irmã estava.

“Ele sempre foi muito amoroso. Ligava para minha mãe todos os dias. Não havia um dia em que ele não ligasse. A gente se falou muito rápido, ele disse que estava indo almoçar”, lembrou.

Pais
Na Bahia, o restante da família tenta tranquilizar os pais de Tiago. A mãe, Tânia Coutinho, 56, é hipertensa. O pai, Valter do Carmo, 60, tem diabetes. Os dois passaram mal depois que souberam da tragédia.

“Minha mãe mora sozinha, em Camaçari. Fiquei preocupada e pedi para ela ficar comigo. Ela não consegue dormir, chora o tempo todo. Ontem (domingo) minha madrasta avisou que meu pai passou mal e precisou de um médico. Estamos muito preocupados”, relatou Graziela.

Na sexta-feira, depois da tragédia, ela pediu à cunhada para não avisar à Tânia sobre o desaparecimento de Tiago. “Eu queria contar para ela, mas ela viu na televisão e me ligou nervosa”, disse a irmã.

O mecânico industrial, que tem sete irmãos, é o mais velho entre os homens. Ele se mudou para Minas Gerais há nove anos. Foi lá que conheceu a mulher com quem se casou, Jaiane, com quem teve uma filha, Laura, de 1 ano. Ele também é pai de Lucas Gabriel, de 4 anos.

Depois de alguns anos, Graziela, a irmã de Tiago, também foi para Minas. Agora, ela e a cunhada, esposa do baiano, se dividem indo aos hospitais e ao Instituto Médico Legal (IML) de Belo Horizonte em busca de notícias. Elas já fizeram o cadastro dele no centro de crise montado no IML, mas ainda não tiveram informações sobre o paradeiro do mecânico industrial.

Interior
Tiago mora em Mário Campos (MG), mesma cidade em que vivem outros quatro baianos que também estão entre os desaparecidos na tragédia de Brumadinho. Os quatro saíram na manhã de sexta para trabalhar e, depois do rompimento da barragem, não fizeram mais contato com os familiares.

Morador de Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo baiano, Ismael Bispo não sabe se o pai, Ademário Bispo, 51, e o primo Alex Mário Moraes Bispo, 22, estão vivos. Os dois trabalham em uma empresa que presta serviços à Vale, responsável pela barragem, e estavam lá no momento do ocorrido.

Ele fez uma vaquinha para conseguir pagar uma passagem para encontrar o irmão e o tio, que estão em Brumadinho à procura dos familiares. Os dois trabalham como mecânicos de montagem na empresa há cerca de seis meses.

“Consegui o dinheiro. Estou indo para Salvador hoje à tarde e, às 18h40, vou pegar o voo para Minas Gerais. Preciso encontrar meu irmão e meu tio. Eles estão procurando por meu pai e meu primo que estão desaparecidos”, contou.

A Vale divulgou, neste sábado (26), uma lista dos desaparecidos. Além de Tiago, Ademário e Alex, outros dois baianos sumiram após a tragédia: Ednilson Dos Santos Cruz e George Conceição de Oliveira, que não tiveram suas idades divulgadas.

Exceto Tiago, que é de Salvador, todos são do município de Santo Amaro e tinham deixado a cidade para trabalhar.

Comitiva de Santo Amaro
O prefeito de Santo Amaro, Flaviano Bonfim, se reuniu nesta segunda-feira (28), com os familiares dos desaparecidos, além da secretária de Desenvolvimento Social e Habitação, Marília Rocha, e da Assistente Social do Município, Mônica Muniz.

Em suas redes sociais, a prefeitura informou que "uma comitiva de oito familiares viajará para Minas Gerais ainda hoje, totalmente amparados pela Prefeitura, que cedeu passagens e ajuda de custo para viabilizar que eles busquem informações corretas a respeito dos desaparecidos".



*Correio da Bahia

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