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'Nada justifica agressão', diz delegado após confusão com advogada

Após ter sido denunciado à Corregedoria da Polícia Civil pela Ordem dos Advogados do Brasil - Seção Bahia (OAB-BA) por protagonizar uma confusão envolvendo um policial militar e uma advogada, o delegado plantonista da 23ª Delegacia (Lauro de Freitas), Geovani Paranhos, afirmou ao CORREIO que não agrediu a criminalista Thalita Duran, 30 anos, na madrugada do último domingo (3). 

Thalita relatou ao CORREIO que, embora não tenha sido fisicamente agredida por Giovani, foi obrigada a assinar um documento antes de ler. Segundo ela, que gravou imagens da confusão, o militar Luiz Paulo Lima, da 81ª Companhia Independente da PM (Itinga), é o autor da agressão física. A OAB-BA, no entanto, pediu o afastamento dos dois servidores.

O caso aconteceu durante a prisão em flagrante de três homens representados pela advogada. Procurado pela reportagem, Giovani Paranhos, que aparece nas imagens, disse que não agrediu a profissional e não presenciou a agressão física sofrida por Thalita. 

"Eu apenas pedi que ela assinasse o documento, porque ela já tinha assinado o documento de um dos rapazes. Para agilizar, pedi que assinasse logo os demais, já que era o mesmo processo. Ela acompanhou todo procedimento atrás da escrivã, tudo certo. Não houve agressão da minha parte, jamais faria isso. Ela estava nervosa", afirmou Paranhos.
O delegado acrescentou, ainda, que não presenciou o empurrão que Thalita afirma ter tomado do policial militar. "Eu não vi a agressão, porque estava de um lado, havia uma porta. Mas vi que ele estava com o celular dela na mão. Acho que nada justiça agressão. Mas pessoas que trabalham nesses ambientes precisam ser controladas. Delegados, policiais, advogados", comentou.

Giovani contou que ainda não foi oficialmente notificado pela Corregedoria da Polícia Civil. "Isso deve acontecer na próxima semana, e eu estou aqui para afirmar que eu sou uma pessoa muito profissional. Que as corregedorias apurem os fatos".

Investigação
Ao CORREIO, Thalita disse que foi ouvida nas duas corregedorias. "O processo de flagrante é demorado e tudo. Mas eu não poderia assinar uma coisa sem ler, assim como meus clientes. E o delegado me mandou calar a boca, gritou. Ele não me agrediu, não posso mentir. Fui empurrada pelo PM", lembrou ela, nessa segunda-feira (4).

Há oito anos na área criminalista, a advogada disse que, no momento do desentendimento, o delegado alegou pressa. 

"Era um plantão metropolitano, tem vários flagrantes, isso eu entendo. Mas ele proferiu xingamentos e me gritou de novo e eu comecei a filmar e foi aquilo. O PM, eu não entendi, ele não tinha nada a ver com a situação, veio agressivo, me empurrando, dizendo que tinha feito foto dele, e tomou meu telefone".

A acusação de agressão da advogada durante atendimento a clientes numa delegacia, segundo a OAB, não é um caso pontual. De acordo com a ordem, 16 casos de agressão foram registrados por mês contra advogados nas delegacias de Salvador em 2018.

"Eu não pedi o afastamento deles, ainda não pensei sobre isso. Prestei a queixa, sim, e fui ouvida. Mas é a OAB quem está cuidando disso", contou. 

A Corregedoria Geral da Secretaria da Segurança Pública (SSP-BA) vai investigar o caso. Por meio da assessoria, a polícia afirmou que Giovani Paranhos não responde a nenhum processo na Corregedoria da Polícia Civil (Correpol).



*Correio da Bahia

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