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Número de mortes cresce, mesmo com redução de acidentes em estradas baianas

Dados das polícias rodoviárias Estadual (PRE) e Federal (PRF) apontam que as mortes nas rodovias da Bahia cresceram 7% de 2017 para 2018, mesmo com redução de 15% no número de acidentes durante o mesmo período.

De acordo com os dados enviados nessa segunda-feira (4) ao CORREIO, enquanto em 2017 ocorreram 744 mortes em decorrência de 9.919 acidentes, em 2018 foram 796 pessoas que faleceram em 8.435 acidentes nas rodovias baianas.

Tanto nas rodovias federais quanto estaduais, os acidentes têm ocorrido mais por imprudência de motoristas, como falta de atenção, alta velocidade, ultrapassagens indevidas, desobediência às leis de trânsito e ingestão de álcool. A falta de atenção de pedestres também está entre as principais causas de morte.

O número de feridos também caiu de 2017 para 2018, de 5.282 pessoas feridas para 4.870 – menos 7,8%. Quando isolados, contudo, os números das duas polícias mostram redução das mortes, acidentes e feridos.

Nas rodovias federais, por exemplo, houve queda de 22,30% das mortes entre um ano e outro. De acordo com o levantamento, foram registrados 453 óbitos no local do acidente em 2018, contra 583 em 2017.

O número é o mais baixo dos últimos 18 anos, informou a PRF, segundo a qual até então o ano menos violento havia sido o de 2017. O pico de vítimas fatais ocorreu em 2012, com 850 mortes em decorrências de acidentes.

“Estamos nos aproximando da meta proposta pela ONU – redução de 50% das vítimas fatais em dez anos (2011 a 2020)”, comentou a PRF, em comunicado que lembra que o número de vítimas fatais em 2010 foi de 813 pessoas.

Tipos
O número de acidentes nas estradas federais teve redução de 24,63%. Enquanto em 2017 ocorreram 4.527 acidentes, em 2018 foram registradas 3.412 ocorrências dessa natureza, 1.115 a menos quando comparado com período anterior.

Nos acidentes graves, observou-se redução em 2018, saindo de 1.179 em 2017 para 1.058 (10,27%) em 2018. Retração parecida também é constatada no total de pessoas feridas (leves e graves).

Em 2018, segundo informou a PRF, houve 4.167 feridos em decorrência dos acidentes, 404 a menos do que em 2017, quando 4.571 pessoas se machucaram nas ocorrências – redução de 8,84%.

Analisando os tipos de acidentes em que resultaram em mortes, os cinco mais registrados foram colisão frontal (33,33%), atropelamento de pedestres (16,11%), saída de pista (12,80%), colisão transversal (8,61%) e colisão traseira (8,61%).

No tipo de acidente colisão frontal morreram 151 pessoas em 2018. Já o tipo de acidente que mais ocorreu em 2018 foi o de saída de pista, correspondendo a 15, 18% dos acidentes, seguido de colisão traseira (13,72%), colisão transversal (12,60%), colisão frontal (11,99%) e colisão lateral (11,66%).

As rodovias onde ocorreram mais acidentes com mortes são as BRs 101 (826 acidentes e 135 mortes), 116 (828 colisões e 114 óbitos), 242 (349 acidentes e 59 mortes), 324 (718 colisões e 49 mortes) e 110 (200 acidentes com 27 mortos).

Todas essas rodovias federais aparecem como em situação boa ou regular na pesquisa nacional da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), que avalia anualmente as condições de pavimentação, sinalização e geometria das estradas brasileiras.

Com relação a trechos onde ocorrem mais acidentes, a PRF categoriza por cada 10 km nas rodovias, e diz que o mais perigoso deles é da BR-324, entre os Km 510 e 520, perto de Feira de Santana. Nesse trecho ocorreram 41 acidentes em 2018.

Já com relação às mortes, o trecho mais preocupante é o da BR-101, entre o Km 420 e o 430, próximo a Maraú (sul da Bahia). Neste trecho houve ano passado 7 óbitos.

Rodovias estaduais
Segundo o Sistema de Acidente e Estatística de Trânsito (ACT) da Secretaria de Infraestrutura da Bahia (Seinfra), alimentado com dados da PRE, foram registrados 5.023 acidentes em rodovias estaduais com 343 mortes e 703 feridos em 2018.

As principais causas de ocorrências no período foram por imprudência do motorista como ultrapassagem indevida, excesso de velocidade e falta de atenção na sinalização rodoviária (3.436 registros).

Em 2017, tiveram 5.292 acidentes com 361 vítimas fatais e 711 feridos. Os principais motivos de ocorrência também por falta de atenção (3.783 registros). Houve redução de aproximadamente 5% em quantidade de acidentes nas estradas baianas, mesma porcentagem de redução em relação ao registro no número de mortes.

Com relação às rodovias mais perigosas da Bahia, a BA-099 lidera tanto em 2017 quanto em 2018. A estrada liga Lauro de Freitas às praias do norte da Bahia e é muito visitada, sobretudo, no verão.

Em 2018, a BA-099 registrou 584 acidentes, sendo o principal motivo a falta de atenção – houve leve redução em comparação com 2017, quando foram registrados 608 acidentes.

De acordo com a pesquisa CNT de Rodovias 2018, dos 2.811 km da malha estadual analisados há 369 km que estão em situação “péssima”; outros 669 km estão “ruins”, há 988 km “regulares”, 699 km considerados como “bons” e 86 km estão “ótimos”.

Melhorias
A CNT considera que são necessários R$ 2,38 bilhões para as ações emergenciais de reconstrução e restauração das vias (trechos com a superfície do pavimento apresentando trinca, remendos, afundamentos, ondulações, buracos ou destruída) e com a implementação de sinalização adequada nas estradas baiana, tanto federais quanto estaduais. Para a manutenção dos trechos desgastados, o custo estimado é de R$ 1,82 bilhão.

Questionado sobre investimentos em recuperação de estradas, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Trânsito (DNIT) não respondeu ao CORREIO. A Seinfra, por sua vez, declarou que “nos últimos quatro anos, a Bahia alcançará a marca de cerca de cinco mil km de estradas recuperadas ou em recuperação, incluindo as obras do Programa de Recuperação e Manutenção de Rodovias do Estado da Bahia (Premar II), com aproximadamente 1,7 mil km.”

“Além disso, a previsão é que aproximadamente outros 930 quilômetros de rodovias baianas passem por algum tipo de intervenção até o final de 2019. Para este ano, a previsão de investimento é de R$ 350 milhões”, afirma a secretaria.

De acordo com a Seinfra, “as rodovias que precisam ser atendidas com mais urgência já estão passando por serviço, como a restauração e pavimentação na BA-144, de Morro do Chapéu a Lages do Batata, a restauração da BA-420, que liga São Félix a Maragogipe e na BA-001, entre Belmonte e Santa Cruz da Cabrália”.



*Correio da Bahia

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