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Preço do tomate sobe 44,5% em Salvador e baianos buscam outras opções

Figura presente no prato de almoço de muitos baianos, o tomate está mais caro e já chega a assustar quem costuma frequentar supermercados e feiras de Salvador. Só no último mês de março, o produto teve um aumento de 44,51%. A alta faz com que vendedores e consumidores busquem alternativas.

A informação do aumento é do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE) confirma e acrescenta que “o tomate foi o produto que mais aumentou em março e o que mais puxou a inflação do mês” na Região Metropolitana de Salvador (RMS). Acrescentou ainda que o valor do fruto "aumentou muito no país como um todo, não só na Bahia, o que indica dificuldades com a safra do produto de uma forma geral".

O fim do Verão e o início das chuvas é um dos fatores que justifica esse aumento. É o que explica Rejane Caldeira, coordenadora de mercado da Ceasa de Simões Filho.

"Conversei com os comerciantes, porque muitos deles também são produtores em Irecê, e eles explicam que o preço subiu por causa das chuvas. Alguns não conseguem entrar na roça para colher, o carro atola, além da plantação ser perdida quando chove demais", disse. 

Ela pontua ainda que o tomate está pior que a batata, que apresentou aumento recentemente. "São os que mais aumentaram, só que a batata até conseguiu dar uma equilibrada. O tomate continua com valor alto. A caixa com uns 27 kg tá saindo por R$ 120, R$ 130", completou.

O CORREIO entrou em contato com a Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR) para entender o que gerou o aumento, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.

O comerciante Marcelo Andrade, 44, que há oito anos é dono de uma banca na feira das Sete Portas, também percebeu a influência climática no preço do alimento. “O último aumento no preço tem uns 10 dias. O tomate que a gente compra vem de Irecê, e lá, depois de um tempo de seca, choveu demais, o que acabou prejudicando a plantação”, explicou Marcelo. Na banca dele, o quilo pulou de R$ 4,50 para R$ 6.

Com o prejuízo nas plantações, a qualidade do alimento que chega às feiras também foi afetada. “Os tomates estão vindo ruins e nós não queremos vender um produto que não seja bom. Quem opta por vender esse tomate que está vindo ruim, estragado, tem vendido por R$ 5,50. Geralmente, ele é vendido no máximo por R$ 2,80”, contou Lídice Melo, 51, que trabalha na feira de Sete Portas há 30 anos.

“Estamos tendo que gastar mais para manter a qualidade”, completou ela, que está vendendo o quilo do produto por R$ 6, apesar de apontar que outros colegas já subiram o preço para R$ 7.

Impacto na cesta básica
O aumento no preço do tomate causou impacto também no valor da cesta básica. Pesquisado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o preço da cesta subiu, em Salvador, 5,35% em março. A capital baiana foi a 12ª com maior aumento, entre as 18 cidades pesquisadas na Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos.

Junto com outros alimentos, como batata, feijão e banana, o tomate é uma das causas para o crescimento no valor. Segundo o órgão, “o aumento deve ser causado pela redução da oferta devido ao fim da safra de Verão e explica a elevação expressiva dos preços no varejo”. 

Substitutos
Diante da mudança no valor do tomate, o alimento tem aparecido menos na mesa de alguns baianos. É o caso da dona de casa Maria Helena Nascimento, 38, que consumia o produto diariamente. “Na minha casa a salada é sempre alface e tomate, mas, com esse preço estou tendo que economizar. Não dá para botar todo dia”, contou.

Como alternativa, Maria Helena tem apostado em cebola e pimentão para incrementar a salada do almoço. 

Para além das casas, o preço do tomate fez tremer também os tabuleiros das baianas de acarajé. Principal ingrediente do vinagrete, usado como acompanhamento das iguarias, o fruto tem significado prejuízo.

Compradora assídua, a baiana Lindinalva Rebouças, 59, que usa cerca de 2 kg do produto por dia, vem sentido o aumento no preço há mais ou menos um mês e meio. “Já consegui comprar por R$ 2, mas na última semana só encontrei por R$ 8. Para a gente é um prejuízo muito grande, porque os clientes gostam da salada”, contou.

Diferente de Maria Helena, no entanto, a baiana conta que não teve a opção de simplesmente abrir mão do tomate. “A gente brinca quando o cliente pede para colocar mais salada. Avisa ‘logo agora que o tomate aumentou, tá caro’. Já cheguei a caprichar mais no vatapá e até em pouco mais de camarão para compensar a salada”, explicou Lindinalva. 



*Correio da Bahia




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