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Vítima de chacina em Portão seria pai em cinco meses

Aos 19 anos e morto a tiros numa chacina no bairro de Portão, em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador, Guilherme Gomes da Silva não conseguirá conhecer a própria filha. O jovem, que costumava ajudar o sogro numa oficina de carros, mas havia passado numa seleção para ser atendente numa rede de fast-food, seria pai em cinco meses. A esposa de Guilherme está gravida da primeira filha do casal. Ele já começaria a trabalhar na semana que vem.

“Guilherme era um menino ótimo, carinhoso, trabalhador. Nunca se envolveu em nada. Mas, no mundo que vivemos, nem se mantendo longe de coisa ruim, a gente está salvo”, lamentou Neide Francisca de Jesus, tia de Guilherme e de Raiane Freitas, 12, e mãe de criação de Raimunda Jesus dos Santos, 35. Raiane e Raimunda também morreram na chacina, comandada por integrantes da facção Bonde do Maluco (BDM), na noite deste sábado (18). Três suspeitos morreram em confronto com a PM.

Os três familiares estavam juntos, na porta de casa, no momento em que um veículo passou com homens atirando. “Esse é o lazer que a gente tem, ficar jogando conversa fora na frente de nossa residência. A gente nunca espera que algo assim aconteça…”, lamentou a tia de Guilherme e Raiane, que não consegue esconder as lágrimas ao lembrar das vítimas.

“Uma menina de 12 anos, adolescente que nunca fez nada pra ninguém. Minha filha Raimunda também… Ela veio do interior e a mãe de nascimento dela me disse em seu leito de morte: ‘Cuide bem dela. Ela só tem você em Salvador’”, lembra Neide.

Raimunda era casada e deixa três filhos adolescentes. Um menino de 16 anos e duas meninas com 14 e 11 anos. Ela será sepultada nesta segunda-feira (20), na cidade de Esplanada, no Nordeste da Bahia. Guilherme e Raiane foram enterrados no final da tarde deste domingo.
Creme para festa
Para o pintor Rogério Oliveira da Silva, 36, e para toda a família, a promessa era de uma noite de festa no sábado (18). Rogério chegou em casa animado e foi logo se arrumar para o aniversário da sobrinha, que celebraria seus 15 anos. Após tomar banho e escolher sua roupa, ele foi ao carro buscar um creme para passar no cabelo e finalizar a arrumação. Foi neste momento que ele foi atingido pelos disparos.

A felicidade se transformou em tragédia. O aniversário foi cancelado. “Depois de um momento desse, a gente não tem cabeça nem coragem pra mais nada”, conta Flávio Oliveira da Silva, 39, irmão da vítima. Rogério era casado e tinha uma filha adolescente de 14 anos.

Ele era conhecido na rua como uma pessoa muito prestativa, que sempre estava disposto a ajudar os vizinhos. Por ter um carro, era a ele que geralmente recorriam quando alguém passava mal e precisava ser levado ao hospital. 

“Meu irmão era tudo pra mim. Sempre saíamos juntos, nos divertíamos. Um cara super do bem, muito família e compromissado. Não tinha vícios nem nada, era extremamente responsável. Ele vivia para seu trabalho e seus familiares”, lembra Flávio.

O sepultamento de Rogério será no Piauí. Uma van com 15 amigos e familiares sairá de Salvador para que eles possam se despedir do pintor. A vítima se mudou para a capital há 18 anos junto com quatro irmãos e, desde então, morava em Portão. “Éramos cinco, agora só quatro”, conta, com a voz embargada, Flávio.

Filho no colo
Entre os seis baleados na chacina, apenas Arthur Silva de Jesus Moreira, 23, sobreviveu, depois de levar um tiro na cabeça. Neste domingo, pessoas próximas chegaram a dizer que Arthur tinha tido morte cerebral, mas a informação não foi confirmada pela polícia. Ele permanecia internado no Hospital do Subúrbio.

No momento do ataque, Arthur estava na frente de casa, com o filho de quatro meses nos braços. Ao ouvir os disparos, o pintor se jogou no chão com o bebê e conseguiu proteger a criança, que não teve ferimentos graves e passa bem.


*Correio da Bahia

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