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Morte de empresária alerta para doença letal


A empresária Néa Vasconcelos queria só doar sangue, num ato de solidariedade. Mas, recebeu o alerta que a levaria ao diagnóstico de Leucemia Mieloide Aguda (LMA), tipo de câncer que ataca os glóbulos brancos e avança rapidamente pelo organismo. Na última quarta-feira, a diretora do salão de beleza Sá Marina, na Pituba, descobriu a doença e foi internada no Hospital Cardio Pulmonar. No domingo, três dias após dar entrada na unidade médica e entrar em coma na UTI, ela teve a morte confirmada.

De acordo com dados da Secretaria Estadual de Saúde (Sesab), 845 pessoas foram diagnosticadas com Leucemia Mieloide Aguda em 2020 na Bahia; e outras 550 receberam o mesmo diagnóstico em 2021. Destas, 166 morreram pela doença em 2020 e outras 148 faleceram em 2021. Os dados de 2022 ainda estão sendo coletados. A secretaria não forneceu o total de pessoas curadas ou que seguem em tratamento.

“A Leucemia Mieloide Aguda é um câncer que se configura como uma urgência oncológica, porque ele para toda a produção do sangue de forma correta. Então, o paciente precisa tratar o mais rápido possível, porque ele corre riscos a cada minuto que atrasa o tratamento”, explica o hematologista Marco Aurélio Salvino, coordenador da Unidade Semi Intensiva de Hematologia e Terapias Celulares do Hospital São Rafael e Professor de Hematologia na Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Segundo o hematologista, por ser uma doença rápida, muitas vezes só é descoberta no momento do diagnóstico. "É uma enfermidade imediata, geralmente, a pessoa se sente bem até então. Ela não passa meses com sintomas ou mal-estar. Quando se dá conta é justamente no momento do diagnóstico”, completa Marco Aurélio.

Quando os sintomas aparecem são indicadores de que a enfermidade está alcançando níveis altos de risco. Os principais sintomas são anemia, fraqueza, tontura, imunidade baixa e plaquetas baixas que causam sangramentos.

“A coagulação do sangue fica bastante prejudicada e por isso o paciente pode ter um sangramento leve na boca, que aparece na gengiva, ou até mesmo um sangrando leve no nariz. O caso mais grave é o sangue no sistema nervoso central, por ser fatal em muitos casos”, informa o hematologista.


Hemograma é o melhor jeito de fazer o diagnóstico

Mesmo tendo a característica de ser uma doença que avança rápido, o primeiro passo para o diagnóstico pode ser dado através de uma exame simples: o hemograma. Feito com periodicidade, traz a identificação precoce que pode aumentar o sucesso do tratamento.

Marco Aurélio Salvino destaca a necessidade do exame. “O hemograma é o exame campeão para identificar quando a doença surge. Todo mundo conhece, é razoavelmente acessível e é importantíssimo para o diagnóstico da Leucemia Mieloide Aguda”, destaca. A LMA pode atingir adultos ou crianças, mas é rara em pessoas com menos de 45 anos. A média de idade dos pacientes com a doença é de 68 anos.


Ocorrência é mais comum em adultos e idosos

A Leucemia Mieloide Aguda (LMA) é um dos tipos mais comuns de leucemia em adultos, mas mesmo assim é bem rara: o risco médio de alguém apresentar a enfermidade durante a vida é de aproximadamente 1%, de acordo com o levantamento realizado pela Pfizer no Brasil.

Os fatores que levam ao desenvolvimento da doença, ainda são pouco conhecidos. “A grande maioria acontece por acaso. Não é hereditário e não tem fator de risco bem estabelecido. O que se sabe, mas não é a maioria dos casos, é que se desenvolve por longas exposições a agrotóxicos e a outros produtos químicos”, explica o professor de hematologia da Marco Aurélio Salvino.

O Observatório de Oncologia, aponta, através do estudo sobre tendências da mortalidade por leucemia no Brasil, que a idade do paciente e o estágio da doença são fatores determinantes para o sucesso. “Podemos dizer que 80% das crianças se curam. Mas no adulto esse ainda é um desafio, apenas cerca de 30% se curam. No caso dos idosos, a chance de cura acima dos 70 anos é a menor”, esclarece.


O tratamento da Leucemia Mieloide precisa ser imediato

A LMA é um tipo de leucemia bastante agressiva, que deve ser tratada assim que feito o diagnóstico. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer, os tratamentos disponíveis dependem da idade do paciente e de fatores de risco citogenético e molecular, sendo a quimioterapia, a principal intervenção. Outra alternativa é o transplante de medula óssea.

“As chances de cura dependem da idade. Geralmente, um jovem tem 70% de chance de sobreviver, enquanto num adulto com mais de 40 anos esse percentual cai para 50%, e o idoso cerca de 20% chance”, esclarece Marco Aurélio.

O Coordenador da Unidade Semi Intensiva de Hematologia e Terapias Celulares do Hospital São Rafael, também chama atenção para a importância da assistência rápida para os pacientes diagnosticados. “Dentro do sistema público o paciente não tem tempo para esperar e fica na regulação por tempo demais comparado ao que é ideal para o sucesso do tratamento. Precisa ter leito pronto para esses pacientes no SUS. E o setor privado sempre deve tratar o mais rápido possível”, diz.





*Correio da Bahia

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