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Bancos fecham quase 4 agências por dia e Pix ajuda a compensar perdas


O avanço da digitalização bancária, na esteira da pandemia e do Pix, sistema de pagamentos criado pelo Banco Central, deu impulso ao movimento de fechamento de agências bancárias. Afinal, de acordo com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), atualmente apenas 3% das 100 bilhões de operações bancárias são realizadas em agências.

O problema é que muitas cidades que não têm mais a presença física das instituições financeiras não conseguem recuperar todo o dinamismo econômico com os sistemas de pagamento, transferência e saques digitais. Muitas sofrem ainda com baixa conexão à internet, o que dificulta o acesso aos meios digitais.

No ano passado, 1.017 agências bancárias fecharam as portas no Brasil, ou quase quatro (3,85) por dia. Damolândia, no interior de Goiás, é uma das 438 cidades que ficaram sem agência bancária desde 2016, segundo dados do BC. Forte em produção de leite, a cidade fica a 90 quilômetros de Goiânia e ainda se ressente de ter sumido do mapa bancário do país.
Guilherme Augusto, de 24 anos, comanda as três lojas da família na cidade, uma de móveis, outra de roupas e o supermercado Santana. Quando a agência bancária da cidade fechou, em 2017, o movimento das duas primeiras lojas caiu 30%, calcula ele. O supermercado ainda não existia naquela época.

“Pessoal mais idoso já ia para a agência e recebia, subia a rua e ia pagando, comprando de novo. Hoje em dia o pessoal vai para Inhumas receber e em Inhumas já gasta também”, diz Augusto, referindo-se à cidade a cerca de 30 quilômetros onde ainda há agência bancária.

Com o passar do tempo, as maquininhas de cartão foram sendo adotadas pelos comércios e, com a chegada do Pix, as vendas ganharam impulso. Mas Augusto ressalta haver uma diferença entre as gerações:

“Muita gente tem cartão hoje ou às vezes paga no Pix, mas são pessoas mais novas. As mais de idade não têm costume de usar cartão. Pagar no Pix, nem se fala”.


Abismo de gerações

O produtor rural Welson Gomes da Silveira, de 52 anos, era um dos correntistas da agência que fechou em Damolândia. Quando precisa ir ao banco em Inhumas, demora uma hora para ir e voltar, de moto. Apesar de ter no celular o aplicativo de outra instituição, o Sicoob, pede ajuda aos filhos quando precisa resolver algo pela internet. Para ele, tudo era mais fácil antes. “Aqui a fila era bem menor, só quando era dia pagamento de prefeitura era mais complicado, mas aí você ligava para um amigo e perguntava se estava tranquilo lá no banco, ia lá e resolvia”, diz Silveira, contando ter ficado duas horas na fila, para fazer depósito e pagamentos, na véspera.

O Pix Saque e o Pix Troco, que entraram em operação no fim de novembro, devem compensar, em parte, o fechamento das agências. As mais recentes funcionalidades do Pix permitem sacar dinheiro em lojas, padarias e supermercados, como em um caixa eletrônico. “Você pode sacar dinheiro de qualquer lugar, não precisa ficar com tanto dinheiro na carteira e ainda ajuda o lojista, porque ele será compensado”, afirmou o presidente do BC, Roberto Campos Neto.




*Tribuna da Bahia


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