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"Dei tudo, mas ele queria vingança", diz mulher com medida protetiva contra ex-companheiro


“Não durmo direito, tomo remédios, não saio mais tranquila e tenho ainda uma série de consequências que vou levar para a vida inteira”. Esse é o desabafo de uma mulher que tem em uma medida protetiva e nos seus cuidados com a própria segurança a única esperança de continuar viva. Desde que resolveu se separar do pai de seus dois filhos, Cátia Cristina Soares tem como companheiro inseparável o medo.

A funcionária pública resolveu contar sua história depois que tomou conhecimento da campanha #MetaAColher, lançada nesta semana pelo Grupo Metropole, com o objetivo de conscientizar sobre a importância de discutir e denunciar casos de violência contra a mulher.

“É preciso falar sobre o assunto. Compartilhar, conversar, colocar a violência contra a mulher em pauta para que ela seja, pelo menos, amenizada. Por isso, a ideia da Metropole é fantástica. Quando consegui minha medida protetiva, a delegada me falou que eu precisava contar para as pessoas. Falei com meus conhecidos, levei uma cópia para a portaria do meu condomínio, outra para meu trabalho. Não tem que ter vergonha”, afirma Cátia.

Ela conviveu com o ex-companheiro por 14 anos. Quando decidiu se separar, gritos, xingamentos e tentativas de intimidação passaram a ser comuns. Emocionada, Cátia relembra um dia que o pai de seus filhos chegou horas mais cedo para buscar as crianças e, ao não ser atendido, chutou a porta e tentou invadir a casa.

“Tentei recuar, conviver de uma maneira decente por conta das crianças, mas ele estava sempre tentando me intimidar, gritando, me xingando pelo telefone. Aparecia a hora que queria na minha casa, dizia que ia tirar tudo de mim. Cheguei a dar um carro e um apartamento para ele, esperando que com isso ele sumisse, mas ele queria mais. Ele queria vingança”, conta.

Essa não é a primeira experiência de violência sofrida por Cátia. Em um relacionamento anterior, ela chegou a ser agredida no ambiente de trabalho do ex-companheiro, em Pernambuco. O homem era, segundo Cátia, um juiz federal. Com medo, ela veio morar em Salvador.

Por um momento, a funcionária pública chega a verbalizar que parece que ela “atrai esse tipo de companheiro”. Mas não demora muito e Cátia percebe que, na verdade, ela é a vítima, não só dos ex-companheiros, mas de uma sociedade machista, que abusa, agride e mata mulheres.

Só a Bahia, por exemplo, teve um caso de violência contra a mulher a cada dois dias em 2021, segundo um levantamento da Rede de Observatórios da Segurança. Foram 232 casos registrados naquele ano. Desses, o tipo de violência com maior número de registro foi o feminicídio, com 66 casos.

“Acredito que, assim como eu, as mulheres acham que um ser humano que conviveu com a gente, que teve um relacionamento, não vai ser capaz de tamanha atrocidade. Mas eles são e a gente precisa denunciar”, alerta Cátia.



*Metro1

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