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Ciclistas pedem por segurança nas ruas da capital baiana

Você tem coragem de andar de bike em Salvador? De acordo com dados da Superintendência de Transito de Salvador (Transalvador), em 2014 foram contabilizados  6.668 acidentes, sendo 2.117 feridos e 63 mortos na metrópole.  Dentre os locais com maior número de acidentes, a Av. Antônio Carlos Magalhães é a campeã de registros, somando 684 acidentes. Depois vem a Av. Paralela, com 359 acidentes, e Av. Otávio Mangabeira, com 235 ocorrências.

Com a proposta de  divulgar o uso seguro de bicicleta, foi realizado na manhã de ontem o Pedal da Imprensa, evento que também  comemorou o dia do jornalista no último dia 07. Os participantes fizeram o percurso até o Farol da Barra, com retorno ao Dique do Tororó, totalizando 11,6km.

Para tentar diminuir esses números, a prefeitura de Salvador tem investido em ações que façam com que os ciclistas deixem de ser invisíveis, como a instalação de ciclovias pela cidade, além do trabalho educativo com motoristas da capital, além de incentivar o uso da bicicleta como meio de transporte. O mais famoso deles, é o Salvador Vai de Bike, projeto que disponibiliza bicicletas espalhadas por estações de compartilhamento nos principais bairros da cidade.

Para utilizá -las, é preciso fazer um cadastro prévio no site e pagar uma taxa anual de R$10. “Nosso movimento tem várias frentes, inclusive educativa. Hoje, nós vamos às garagens e fazemos um treinamento com motoristas de ônibus, já capacitamos mil deles. Nosso objetivo é chegar aos seis mil até o final de 2016. Temos ações educativas com o pedestre e com o motorista de carro de passeio, em relação as ciclo faixas, fazemos um trabalho de conscientização, explicamos o risco que ele está expondo o ciclista ao estacionar ali.

Temos projetos que são ligados ao divertimento, esporte e lazer, como temos também a bicicleta compartilhada, instalação de para ciclos pela cidade, novas ciclovias e ciclo faixas, ou seja, tudo que for possível fazer para fomentar o uso da bicicleta na cidade, envolve o movimento Salvador vai de Bike, contou Liana Oliva, Coordenadora do projeto.
Mas para o representante do movimento Bike Anjo(EBA!), Daniel Bagdeve, a cidade e a população, ainda têm muito que evoluir.  “Falta ainda infraestrutura, só que o mais importante ainda é a cultura, a educação do motorista. Muitos acreditam que o ciclista tem que andar no passeio, ficam irritados e com isso fazem aquilo que eles acham que educa, que é jogar o carro em cima da bicicleta. É preciso dar passagem aos ciclistas, entender que somos um meio de transporte, que temos os mesmos direitos e deveres,” explica.
O movimento Bike Anjos(EBA!) é uma rede nacional de ciclistas experientes que se uniram para ensinar pessoas de qualquer idade a andar de bicicleta gratuitamente. Além disso, o EBA! presta uma espécie de consultoria para pessoas enfrentarem o trânsito com mais segurança.

São ensinadas a maneira correta de se portar no percurso desejado, além de noções de legislação de trânsito. Ainda segundo o coordenador do projeto para se aventurar a pedalas pelas vias da capital baiana é preciso antes de tudo, resistência. “Hoje para andar nas ruas de Salvador, é preciso inicialmente de resistência, não possível sair do 0 para pedalar no trânsito, até por que, o próprio cansaço já influência na segurança.

A pessoa muito cansada, anda de cabeça baixa, não consegue virar para trás para olhar, não tem fôlego para subir as ladeiras, então o primordial é treinar um pouco para criar uma resistência mínima. Depois, entender que você também é um veiculo e mesmo sendo o mais fraco deles, precisa respeitar as regras de trânsito. Então, é preciso pensar na segurança em primeiro lugar e lembrar que não existem só veículos na rua, existem motoristas, quando se está em cima da bicicleta e se faz um contato visual,  pede passagem, faz uma gentileza, da um sorriso ao motorista, é muito difícil que lá na frente ele faça algo contra você. Quando você faz um gesto desses, você mostra que ali tem uma vida,” conta.

Mortes são frequentes
Bagdeve sabe bem o preço de uma vida. No carnaval, um dos seus ciclistas perdeu a vida no KM 51, na Estrada do Coco, quando pedalava em grupo e escoltado pelo veículo que era dirigido pela sua esposa. Por conta disso, o grupo irá instalar uma Ghost Bike, no local do acidente, no dia 26.

A homenagem, em forma de bicicleta branca, normalmente são instaladas em locais de acidentes fatais com ciclistas, como memoriais em homenagem a quem perdeu a vida para a pressa de alguém, para a falta de planejamento viário, para a omissão do poder público. Elas também têm o objetivo de evitar que aquela morte caia no esquecimento, sendo considerado apenas um inconveniente temporário ao trânsito de uma tarde qualquer. “Espero que essa seja a única Ghost Bike que tenhamos que instalar, mas se acontecer, vamos colocar outras, por que a cidade precisa saber  o que é aquilo quando passar, as pessoas precisam respeitar,” finalizou.




Tribuna da Bahia

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