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No afã de arrecadar, Prefeitura de Lauro de Freitas enche cidade de radares

Buscando fugir do engarrafamento diário na Estrada do Cocô, que corta a cidade de Lauro de Freitas, o empresário Sérgio Novaes optou por passar por uma via alternativa. "Sempre passo por ali quando o engarrafamento está maior que o de costume", conta. Segundo ele, mesmo sendo uma rua deserta, sem comércio ou movimentação de pessoas, a prefeitura instalou um radar - em meio a árvores  e à iluminação insatisfatória -  delimitando a velocidade máxima de 60 km/h e ele foi multado.

E esse não é o único radar na via marginal: o Jornal da Metrópole esteve no local e, em um trajeto de menos de dois quilômetros, foram instalados dois equipamentos. De acordo com a Prefeitura de Lauro de Freitas, desde março, 15 radares foram posicionados nas vias principais e em ruas internas da cidade.

Em apenas um mês, os radares emitiram mais de 30 mil multas que podem variar entre R$ 85,13 a R$ 574,62, a depender de quanto o condutor excedeu a velocidade permitida, o que pode chegar a render cerca de R$ 172.200,00 aos cofres municipais. E o número tende a aumentar. O Jornal da Metrópole é a favor de multas para quem infringe a lei, mas não pode se calar quando há um claro objetivo de fazer crescer a arrecadação municipal por meio dos radares, como parece ser o caso de Lauro de Freitas.

Empresa recebe quase R$ 4 milhões por um ano 
E a farra dos radares só começou. De acordo com a prefeitura de Lauro de Freitas, até o segundo semestre, novos equipamentos serão instalados em outros pontos da cidade. "Temos um contrato para trabalhar com a fiscalização de 60 faixas. Inicialmente, vamos trabalhar com cerca de 50% do contrato, mais ou menos 30 faixas de vias na cidade, o que significa cerca de 15 equipamentos", disse o secretário de transporte, Moysés Mustar. Segundo o Diário Oficial de Lauro de Freitas, o contrato no valor de 12 meses foi fechado com a empresa Velsis Trafit, também responsável pela instalação de radares em Salvador, no valor de  R$ 3.829.800.

"É uma fábrica de dinheiro"
E a chuva de multas não se limita aos radares. A Rua Francisco das Mercês, em Buraquinho, apesar de ser residencial, acumula placas de proibido estacionar nos dois lados da via. O designer Elder Sousa foi multado em agosto de 2014 e resolveu procurar a Prefeitura. "Me disseram que eu tinha que fazer um ofício e levar para a Secretaria de Planejamento, para que eles fizessem uma nova avaliação da rua", conta.  Ainda segundo ele, quando o assunto é multar, os agentes não poupam esforços. "Uma vez, cheguei 23h45 e eles estavam aqui multando. É uma fábrica de dinheiro", comenta.

Prefeitura: "maior objetivo é segurança" 
A administração municipal garante que a instalação dos radares nas vias da cidade visa garantir a segurança de pedestres e motoristas. "A gente já teve uma redução significativa no número de acidentes, que é o nosso maior objetivo. Em torno de 30% foi reduzido desde a instalação até hoje", afirma a coordenadora executiva da prefeitura, Alana Freire.  

Influência de Cláudio Silva 
Para o pesadelo do contribuinte, o prefeito de Lauro de Freitas, Márcio Paiva (PP) - multado  recentemente por número excessivo de cargos comissionados - tem feito do município uma extensão da Salvador  tenebrosa de João Henrique. Paiva nomeou Cláudio Silva, superintendente da Sucom de JH, para o obscuro cargo de "consultor de planejamento estratégico", enquanto Eliana Marback - a quem Cláudio chefiou na Sucom - assumiu a Secretaria de Planejamento e Gestão Urbana. Silva tem carta branca na administração da cidade, sobretudo para o que aumente a arrecadação. No fim de março, Cláudio indicou Ney Campelo, secretário municipal de Educação e Cultura na gestão João Henrique, para a chefia de gabinete do prefeito.






Metro1

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