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Aos 87 anos, morre o jornalista Zuza Homem de Mello


O jornalista, escritor e pesquisador musical Zuza Homem de Mello morreu na manhã deste domingo (4), aos 87 anos. De acordo com o jornal O Globo, familiares confirmaram que ele morreu enquanto dormia em seu apartamento no bairro de Pinheiros, em São Paulo. A causa da morte foi um infarto agudo do miocárdio. O velório será reservado apenas a familiares devido à pandemia do novo coronavírus.

Recentemente, Zuza havia finalizado uma nova biografia sobre o músico João Gilberto, obra escrita em sigilo absoluto ao longo de dois anos. O material, ainda sem título definido, deveria ser lançado pela Editora 34 entre o fim de 2020 e o início de 2021.

“Tive um conhecimento valioso de João Gilberto, que poucos tiverem a chance de ter — ele afirmou, em entrevista publicada pelo Globo em setembro deste ano.

“O fato de nunca tê-lo entrevistado talvez tenha sido uma das razões da nossa amizade ter sido profunda, densa e aberta. Ele não se sentia pressionado quando a gente conversava sobre futebol ou sobre a vida, por exemplo. Fosse por telefone ou pessoalmente”, disse à públicação naquela ocasião.

Nome importante para a cena musical no Brasil, o homem batizado como José Eduardo (mas conhecido apenas pelo apelido Zuza) se formou na prestigiada Juilliard School, em Nova York, onde assistiu bem de perto — durante os anos 1950 — a apresentações de nomes como Ella Fitzgerald, Billie Holliday, John Coltrane, Miles Davis, Thelonious Monk e Duke Ellington.

Baixista profissional, ele ingressou na TV Record após sua volta ao Brasil, atuando como técnico de som em programas que revelaram cânones da MPB, como “O fino da bossa”, “Jovem guarda” e “Bossaudade”. Foi a partir daí que Zuza passou a acumular uma vasta experiência como produtor e diretor musical, com trabalhos ao lado de figuras como Elis Regina, Jacob do Bandolim, Elizeth Cardoso e Milton Nascimento.

Amigo e colega de nomes como Nelson Motta, Caetano Veloso, Egberto Gismonti, Roberto Menescal, Tom Zé e Ruy Castro, além de João Gilberto, Zuza Homem de Mello deixa como legado obras referenciais sobre a música popular brasileira, como os livros “A canção no tempo” (escrito a quatro mãos, com Jairo Severiano), “Eis aqui os bossa nova”, “Copacabana: a trajetória do samba-canção”, “A era dos festivais — Uma parábola” e “Música popular brasileira cantada e contada”, além da coletânea “Música com Z: artigos, reportagens e entrevistas”, com textos escritos por ele entre 1957 e 2014.

Membro da Academia Paulista de Letras, ele teve parte de sua trajetória esmiuçada no documentário “Zuza Homem de Jazz” (2019), dirigido por Janaína Dalri.



*Bahia.Ba

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