Média de oito feminicídios por mês alarma autoridades na Bahia
Entre janeiro e julho deste ano, pelo menos 57 mulheres foram vítimas de feminicídio na Bahia, o que representa uma média de oito assassinatos por mês motivados pelo ódio de gênero, segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. Entre as vítimas, estão Lindiane, Adriana, Rose, Jaqueline, Dileuza, Maria Francinalda e Kelly.
Por ódio de gênero entende-se qualquer ato de violência, discriminação ou aversão contra mulheres em razão da condição de sexo feminino, frequentemente motivado por ciúmes, brigas ou separações. De acordo com a Polícia Civil da Bahia, até 20 de agosto, 63 mulheres haviam sido assassinadas, um aumento de seis casos em relação ao levantamento do Sinesp, embora em comparação com o mesmo período do ano passado tenha havido uma pequena redução de dois casos.
Especialistas alertam que a manutenção de números elevados evidencia a necessidade de políticas públicas eficazes, educação preventiva e proteção contínua às vítimas. Vanessa Cavalcanti, professora da UFBA, destaca que a demora na execução penal e a desconfiança das mulheres em pedir proteção são fatores que agravam a situação, além de refletirem uma cultura machista enraizada.
Gabriela Vergolino, pesquisadora da UFBA, reforça que existem canais de denúncia e proteção disponíveis, como o Disque 180, as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs), a Casa da Mulher Brasileira e o NUDEM, além de WhatsApp e contatos telefônicos da Prefeitura de Salvador. Em casos de emergência, o 190 deve ser acionado, com garantia de sigilo.
Relembre alguns dos casos registrados neste período:
Janeiro: Lindiane Rufino Soares, assassinada a facadas em São Marcos pelo companheiro com quem convivia há 19 anos.
Fevereiro: Adriana Cunha da Silva, morta pelo então parceiro em Itamaraju; seu corpo foi encontrado no rio.
Março: Rose Antônio Viana, esfaqueada em Mascote após resistir a tentativa de estupro.
Abril: Jaqueline Viana Moura, encontrada estrangulada na Rua da Resistência, em Salvador.
Maio: Dileuza de Vasconcelos Campinho, assassinada a tiros em Remanso por dois suspeitos, incluindo o ex-companheiro.
Junho: Maria Francinalda Matias de Souza, morta a facadas em Juazeiro após desentendimento com o ex-companheiro.
Julho: Kelly Silva Jesus, de 35 anos, assassinada a golpes de machado pelo companheiro em Barra do Pojuca, Camaçari.
O cenário evidencia a urgência de políticas de prevenção, educação, acompanhamento de vítimas e aplicação rigorosa da lei, além de reforçar a importância da denúncia e do acesso à justiça para reduzir o número de feminicídios na Bahia.
Por Ataíde Barbosa/Foto: Reprodução




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