Lula comenta operação no Rio após mais de 100 mortos e cobra ação conjunta contra o crime organizado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se pronunciou pela primeira vez, na noite desta quarta-feira (29), sobre a megaoperação policial realizada no Rio de Janeiro, que deixou mais de 100 mortos nas comunidades do Complexo do Alemão e do Complexo da Penha, na Zona Norte da capital fluminense.
Em publicação nas redes sociais, Lula afirmou ter determinado que o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos, se deslocassem ao estado para se reunir com o governador Cláudio Castro (PL) e discutir medidas de enfrentamento ao crime organizado.
“Me reuni hoje pela manhã com ministros do meu governo e determinei ao ministro da Justiça e ao diretor-geral da Polícia Federal que fossem ao Rio para encontro com o governador. Não podemos aceitar que o crime organizado continue destruindo famílias, oprimindo moradores e espalhando drogas e violência pelas cidades”, escreveu o presidente no X (antigo Twitter).
Tensão entre Planalto e governo do Rio
A operação reacendeu atritos entre o governo federal e o Palácio Guanabara. Cláudio Castro tem cobrado maior participação da União e do Exército nas ações de segurança pública e acusou o governo federal de não atender pedidos de apoio.
Membros do governo Lula, por outro lado, consideraram as declarações do governador “eleitoreiras e oportunistas”, rebatendo a versão de que o Ministério da Justiça teria sido formalmente acionado para atuar na operação.
Viagem e silêncio inicial
Aliados do presidente explicaram a demora no posicionamento público devido ao retorno de Lula de uma viagem oficial à Ásia, durante a qual ficou incomunicável por cerca de 15 horas. A expectativa era de que o petista abordasse o tema durante a cerimônia de posse de Guilherme Boulos (PSOL-SP) na Secretaria-Geral da Presidência, na tarde de quarta-feira, o que não ocorreu.
Referência a operação contra o PCC
No mesmo pronunciamento, Lula citou a Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto pela Polícia Federal contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), como exemplo de ação bem-sucedida no combate ao crime organizado.
“Foi exatamente o que fizemos em agosto na maior operação contra o crime organizado da história do país, que chegou ao coração financeiro de uma grande quadrilha envolvida em venda de drogas, adulteração de combustível e lavagem de dinheiro”, afirmou.
PEC da Segurança
O presidente também mencionou a PEC da Segurança, proposta encaminhada por seu governo ao Congresso Nacional, que busca unificar a atuação das forças policiais no enfrentamento às facções criminosas.
“Com a aprovação da PEC da Segurança, vamos garantir que as diferentes forças policiais atuem de maneira conjunta no enfrentamento às facções criminosas”, escreveu Lula.
A Operação no Rio de Janeiro, realizada na última terça-feira (28), é considerada uma das mais letais da história do país e tem sido alvo de críticas de entidades de direitos humanos, que apontam indícios de execuções sumárias e uso desproporcional da força.
Por Ataíde Barbosa/Foto: Ricardo Stuckert/PR




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