Black Friday deve bater recorde e movimentar R$ 5,4 bilhões no comércio brasileiro, estima CNC
O varejo brasileiro se prepara para uma das datas mais fortes do calendário promocional. A Black Friday deste ano, que tem sua data central em 28 de novembro, deve gerar R$ 5,4 bilhões em vendas, segundo projeção divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Se confirmado, o volume será o maior já registrado para o período, representando alta de 2,4% em comparação com 2023, já descontada a inflação.
Para o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, o resultado reflete um comportamento específico do consumidor brasileiro. Ele explica que, por aqui, as promoções se estendem por todo o mês, o que influencia diretamente as estimativas:
“A Black Friday no Brasil não está restrita a um único dia; ela se transforma em uma campanha de novembro inteiro”, aponta.
A data já figura como a quinta mais relevante para o varejo nacional, ficando atrás apenas do Natal, Dia das Mães, Dia das Crianças e Dia dos Pais.
Setores que devem puxar o crescimento
A CNC calcula que alguns segmentos concentrem a maior parte das vendas:
Hiper e supermercados: R$ 1,32 bilhão
Eletroeletrônicos e utilidades domésticas: R$ 1,24 bilhão
Móveis e eletrodomésticos: R$ 1,15 bilhão
Vestuário, calçados e acessórios: R$ 950 milhões
Farmácias e cosméticos: R$ 380 milhões
Livrarias, papelarias e informática: R$ 360 milhões
Eletroeletrônicos e móveis, tradicionalmente entre os mais desejados pelos consumidores, devem voltar a ter destaque, impulsionados pela queda no dólar, que reduz o custo de produtos importados.
Ambiente econômico favorece, mas desafios persistem
A CNC atribui o otimismo a um conjunto de indicadores positivos. Entre eles, a desaceleração da inflação e o avanço do mercado de trabalho. A taxa de desemprego ficou em 5,6% no trimestre encerrado em setembro, o menor nível desde o início da série histórica do IBGE, há mais de duas décadas.
Apesar disso, o cenário não é inteiramente favorável. A combinação de taxas de juros elevadas — com o crédito livre chegando a 58,3% ao ano, o maior patamar desde 2017 — e o alto nível de endividamento das famílias limita o impulso às compras. Mais de 30% dos lares brasileiros possuem contas em atraso, segundo pesquisa da própria CNC.
Outro fator que pressiona o comércio nacional é a crescente migração de consumidores para lojas internacionais, impulsionada pela busca por preços mais competitivos.
Descontos devem ser mais robustos
Para avaliar o potencial de queda nos preços, a CNC monitorou diariamente 150 itens de 30 categorias. O estudo mostra que 70% delas têm espaço para reduções superiores a 5%, indicando que o consumidor pode encontrar promoções mais consistentes neste ano.
Com expectativas positivas e um cenário econômico que mistura estímulos e limitações, a Black Friday 2024 deve consolidar a data como um dos motores de vendas do varejo brasileiro — e possivelmente bater mais um recorde histórico.
Por Ataíde Barbosa/Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil




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