Criatividade baiana brilha até nas certidões: nomes como Sidelicia, Querubim e Aladim aparecem no Censo do IBGE
Na Bahia, a criatividade não se limita às festas populares, à culinária ou à música. Ela também marca presença nas certidões de nascimento. O Censo Demográfico 2022, divulgado nesta terça-feira (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelou uma lista de nomes raros e únicos encontrados em território baiano — e alguns deles são, no mínimo, curiosos.
Entre os registros mais exclusivos estão Sidelicia, Tetezinha, Querubim e Aladim, cada um presente em apenas 15 documentos em todo o estado. Outros exemplos igualmente originais, como Frei, Joias, Tafarel, Yslana, Zioneide e Riquelma, reforçam o talento baiano para a invenção de nomes com sonoridade própria — e, muitas vezes, com uma boa dose de afeto e significado pessoal.
Tradição ainda fala mais alto
Mas, apesar do espaço para a originalidade, os nomes clássicos continuam reinando. Maria e José seguem líderes absolutos entre os registros baianos — uma tradição que atravessa gerações e reflete tanto a religiosidade quanto a força da cultura popular.
Entre as mulheres, Maria soma impressionantes 783.021 registros no estado. Em seguida vêm Ana (273.416) e Júlia (36.337).
Entre os homens, José é o campeão, com 361.017 baianos atendendo por esse nome, seguido de João (219.615) e Antônio (168.589).
Os nomes raros que chamam atenção
De acordo com os dados do IBGE, os 15 nomes mais incomuns na Bahia são:
Afilofio
Aladim
Allejandro
Frei
Joias
Querubim
Riquelma
Ronaldinho
Sidelicia
Seu
Tafarel
Tetezinha
Vytor
Wesliane
Yslana
A lista mistura referências religiosas, culturais e até esportivas — como o “Tafarel”, provável homenagem ao goleiro tetracampeão mundial. Já “Querubim” e “Frei” remetem à fé e à tradição católica, enquanto “Sidelicia” e “Joias” mostram o toque de humor e carinho tão característico do povo baiano.
Sobrenomes: Santos lidera, Silva perde a coroa
Se nos nomes próprios o clássico Maria continua firme, nos sobrenomes a Bahia quebra a regra nacional. Diferente da maior parte do país, onde Silva é o mais comum, o título de campeão por aqui pertence a Santos.
Segundo o IBGE, 3.723.348 baianos carregam esse sobrenome. Em seguida aparecem Silva (2.487.204), Souza (1.186.561), Oliveira (1.143.304) e Jesus (1.077.272).
O ranking dos dez sobrenomes mais frequentes na Bahia fica assim:
Santos – 3.723.348
Silva – 2.487.204
Souza – 1.186.561
Oliveira – 1.143.304
Jesus – 1.077.272
Pereira – 561.547
Santana – 498.706
Lima – 465.072
Alves – 441.615
Ferreira – 419.806
Identidade com sotaque baiano
Mais do que estatística, os dados revelam um retrato cultural da Bahia — um estado onde tradição e criatividade convivem em perfeita harmonia.
Enquanto milhões de Marias e Josés mantêm viva a herança de fé e família, nomes como Sidelicia e Querubim mostram que sempre há espaço para a originalidade. Afinal, como dizem por aqui, “na Bahia, até o nome tem dendê”.
Por Ataíde Barbosa/Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil



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