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Estudo aponta 39 municípios da Bahia com alto risco para Chikungunya


Um levantamento inédito aponta que a Chikungunya segue como uma ameaça persistente na Bahia, com 39 municípios classificados como áreas de alto risco para a disseminação da doença. O estudo, desenvolvido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade de Guarulhos (UNG), analisou dados registrados entre 2014 e 2023 e revelou que o vírus já foi identificado em 387 dos 417 municípios baianos ao longo desse período.

A pesquisa, publicada na revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, utilizou informações do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab). A partir dos casos confirmados, os pesquisadores calcularam taxas de incidência municipais e cruzaram esses dados com fatores ambientais e socioeconômicos, como temperatura, volume de chuvas, cobertura vegetal, urbanização e saneamento básico.

Segundo o professor Maurício Lamano Ferreira, da USP, um dos responsáveis pelo estudo, a identificação dos municípios mais vulneráveis levou em conta a repetição de surtos ao longo dos anos e o crescimento da doença mesmo em períodos em que o cenário estadual indicava redução dos casos. A análise também mostrou forte influência da sazonalidade, com maior risco concentrado nos meses de verão, especialmente em fevereiro e março.

O trabalho aponta ainda que os municípios classificados como de maior risco compartilham características climáticas favoráveis à proliferação do mosquito Aedes aegypti, como temperaturas mínimas mais elevadas, pouca variação térmica anual e altos índices de chuva. Do ponto de vista ambiental, áreas mais urbanizadas e com menor cobertura de biomas naturais, como a Caatinga, apresentam maior número de criadouros artificiais, o que favorece a transmissão do vírus.

Um dos dados que mais chamou atenção dos pesquisadores foi a maior incidência da doença em cidades com melhor estrutura socioeconômica. De acordo com Lamano, municípios mais desenvolvidos costumam concentrar serviços, comércio e transporte, o que aumenta a circulação de pessoas e facilita a introdução e disseminação do vírus. Além disso, mesmo com saneamento mais avançado, recipientes artificiais comuns em áreas urbanas seguem sendo locais ideais para a reprodução do mosquito.

As consequências da infecção vão além da fase aguda. A Chikungunya é conhecida por deixar sequelas prolongadas, especialmente dores articulares intensas que podem durar meses ou até anos. A infectologista Clarissa Cerqueira alerta que esse é um dos principais impactos da doença, sobretudo entre idosos, que podem ficar temporária ou permanentemente incapacitados.

Diante do cenário, municípios classificados como de alto risco têm intensificado ações preventivas, especialmente antes do período de maior circulação do vírus, que ocorre entre janeiro e junho. As medidas incluem combate a focos do mosquito, campanhas educativas e monitoramento dos índices de infestação. Especialistas reforçam que a prevenção continua sendo a principal estratégia, com eliminação de água parada, uso de repelentes e ações ambientais que reduzam a proliferação do Aedes.

Embora uma vacina contra a Chikungunya tenha sido aprovada recentemente no Brasil, indicada para adultos em situação de maior exposição, especialistas avaliam que, no momento, o controle do mosquito e a conscientização da população seguem como as ferramentas mais eficazes para conter o avanço da doença no estado.




Por Ataíde Barbosa/Foto: Freepik

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