Vacina brasileira em dose única aproxima país de virada no combate à dengue
O Brasil se prepara para um marco no combate à dengue: a aplicação da nova vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan pode ter início ainda em dezembro. Batizado de Butantan-DV, o imunizante é o primeiro no mundo formulado em dose única e nasce após mais de dez anos de pesquisa científica e ensaios clínicos.
A vacina foi projetada para oferecer proteção contra os quatro sorotipos do vírus e, de acordo com os estudos conduzidos, mantém sua eficácia por até cinco anos. O registro junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acaba de ser concluído, após a finalização da última etapa técnica necessária para liberação do produto no país — o que permite o início da imunização nos próximos dias, conforme anúncio do Ministério da Saúde.
Atualmente, o Butantan dispõe de 1 milhão de doses prontas e estruturou um plano de expansão da produção para os próximos anos. A projeção é fabricar 25 milhões de unidades em 2026 e alcançar 35 milhões em 2027, fortalecendo a autonomia nacional no enfrentamento da doença.
Nos ensaios clínicos, a Butantan-DV demonstrou 74,7% de eficácia na prevenção geral dos casos, além de 91,6% de proteção contra formas graves. O resultado mais expressivo foi a garantia total contra hospitalizações, com índice de 100%, indicando um alto potencial de impacto na redução da sobrecarga dos serviços de saúde.
A expectativa do governo é incorporar a vacina ao calendário do SUS a partir do início de 2026. Na próxima semana, uma reunião oficial definirá os grupos prioritários da primeira fase de imunização. Inicialmente, a faixa etária prevista para receber a dose vai de 2 a 59 anos, abrangendo grande parte da população exposta ao risco.
A adoção do esquema de dose única pode representar um diferencial decisivo: a estratégia simplifica o processo de imunização, melhora a adesão das famílias, otimiza a cadeia de armazenamento e distribuição e facilita o alcance em regiões com estrutura limitada.
O lançamento da vacina ocorre em um cenário epidemiológico desafiador. Em 2024, o país ultrapassou 6,5 milhões de casos confirmados e registrou 6.321 mortes. Em 2025, já são 1,63 milhão de casos prováveis e pelo menos 1.730 óbitos, segundo dados oficiais.
Com ciência, produção pública e integração ao sistema universal de saúde, o Brasil avança para transformar o enfrentamento da dengue, apostando não apenas na reação às epidemias, mas na prevenção estruturada e contínua para os próximos anos.
Por Ataíde Barbosa/Foto: Agência Rádio 2




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