Sintesf cobra direitos da educação em Simões Filho e denuncia defasagens salariais, atrasos e falta de diálogo com o Executivo
O Sindicato dos Trabalhadores na Educação de Simões Filho (Sintesf) voltou a público para reforçar a mobilização da categoria e denunciar uma série de problemas enfrentados pelos profissionais da rede municipal de ensino, no município. As declarações foram feitas durante entrevista ao programa Panorama de Notícias, na tarde desta sexta-feira (16) ao repórter Romário dos Santos e o apresentador Ataíde Barbosa, diretamente do Conjunto Habitacional Rubens Costa, com a participação da presidenta do sindicato, professora Eliete, e da professora Rosângela Maia, responsável pela área de comunicação da entidade.
Recém-criado e já reconhecido pelos órgãos competentes, o Sintesf surge, segundo suas lideranças, a partir de uma lacuna histórica de representatividade vivida pelos educadores do município.
A professora Eliete destacou que o sindicato nasce da necessidade real da categoria e vem sendo abraçado por professores, gestores, cuidadores, merendeiras e demais trabalhadores vinculados ao Fundeb.
“Não estamos de férias. Estamos trabalhando diariamente, estudando legislação, organizando documentos e preparando nossa primeira assembleia geral, prevista para a última semana de janeiro, para apresentar o cronograma de lutas de 2026”, afirmou.
Entre as principais pautas estão o não pagamento do rateio do Fundeb, o descumprimento do plano de carreira, a distorção no pagamento do piso nacional do magistério e a insatisfação com a condução da jornada pedagógica.
Segundo o sindicato, Simões Filho, apesar de estar entre os municípios com maior PIB da Bahia, não aplica o piso salarial do magistério na base do vencimento dos professores, utilizando gratificações para atingir o valor mínimo, o que prejudica progressões, aposentadorias e outros direitos.
A professora Rosângela Maia explicou que professores concursados com jornada de 20 horas recebem salário base inferior ao piso proporcional, atualmente fixado em R$ 2.433, enquanto o valor pago no município gira em torno de R$ 2.290.
“A gestão soma gratificações para dizer que cumpre a lei, mas isso não é o que determina a legislação. O piso deve ser a base do salário”, criticou, comparando a situação com cidades vizinhas como Lauro de Freitas, onde o piso é aplicado corretamente.
Outro ponto sensível abordado foi a situação dos gestores escolares. Segundo o Sintesf, muitos profissionais efetivos que assumem a gestão acabam perdendo financeiramente, devido à defasagem do plano de carreira. Para compensar, a prefeitura criou gratificações que não constam no plano, mas que frequentemente atrasam. Em dezembro, por exemplo, gestores aguardavam valores que poderiam chegar a R$ 2.500 ou R$ 3.000, mas receberam apenas cerca de R$ 500, o que gerou revolta e ameaça de pedidos coletivos de exoneração. Estima-se que mais de 50 gestores efetivos possam deixar os cargos, o que teria impacto direto no funcionamento das escolas.
O sindicato também demonstrou preocupação com o calendário letivo de 2026. A jornada pedagógica está prevista para os dias 2 e 3 de fevereiro, porém a licitação para contratação da empresa responsável pelas formações só deve ocorrer no dia 30 de janeiro, o que, segundo o Sintesf, compromete a qualidade da atividade. Além disso, a entidade alerta para o histórico recente de descumprimento do início do ano letivo e da imposição de sábados letivos sem diálogo com a categoria, o que sobrecarrega professores e afeta a organização das famílias.
Para o Sintesf, a resistência do Executivo municipal em dialogar com a nova entidade está relacionada ao fim da fragmentação e do tratamento individualizado dos profissionais.
“Agora é coletivo. Quando a categoria se organiza, o poder público precisa ouvir”, ressaltou Rosângela.
Ao final da entrevista, as lideranças reforçaram que o sindicato segue aberto ao diálogo, mas não recuará da defesa dos direitos da educação. A entidade também afirmou que continuará acompanhando publicações no Diário Oficial, mobilizando a categoria e informando a sociedade sobre os impactos das decisões da gestão municipal na qualidade do ensino público em Simões Filho.
Por Ataíde Barbosa




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