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Movimento Profissão Docente aponta Bahia entre os piores salários iniciais para professores da rede estadual


Um levantamento divulgado nesta terça-feira (3) pelo Movimento Profissão Docente revelou que a Bahia possui o quinto menor salário inicial do país para professores da rede estadual. Atualmente, o vencimento de entrada é de R$ 4.965,24, valor pouco acima do piso nacional do magistério de 2023, fixado em R$ 4.867,77, e cerca de 20% inferior à média nacional, que chega a R$ 6.212,36.

O estudo analisou as legislações que estruturam as carreiras docentes nos estados e destacou que, enquanto em algumas unidades da federação o salário inicial pode ultrapassar R$ 13 mil, na Bahia a remuneração de ingresso ainda enfrenta defasagem significativa. Para Haroldo Rocha, diretor da entidade responsável pela pesquisa, o valor pago no início da carreira é determinante para atrair jovens talentos.

Segundo ele, é justamente o primeiro nível salarial que influencia a decisão de quem está escolhendo a profissão. Se a remuneração não for competitiva, outras áreas acabam se tornando mais atrativas.
Gratificações não incorporadas

O levantamento também identificou 180 tipos de gratificações, adicionais e benefícios que podem complementar os rendimentos. No caso baiano, esses acréscimos podem elevar o salário inicial para R$ 6.513,40 — ainda ligeiramente abaixo da média nacional com benefícios, estimada em R$ 6.599,46.

No entanto, após a reforma da Previdência de 2019, muitos desses valores deixaram de ser incorporados à aposentadoria, o que reduz a segurança financeira no longo prazo e impacta o planejamento de carreira dos docentes.

Crescimento limitado na carreira

Na rede estadual da Bahia, o topo da carreira é alcançado após 18 anos de atuação em sala de aula. Nesse estágio, o professor pode receber até R$ 6.396,58, o que representa um aumento de 28,8% em relação ao salário inicial — o décimo menor crescimento percentual entre os estados brasileiros.

A chamada amplitude remuneratória na Bahia fica bem abaixo da média nacional, que é de 49%. Para Rocha, esse cenário demonstra a necessidade de reestruturação do plano de carreira, de modo a ampliar as perspectivas salariais e incentivar a qualificação profissional contínua.

Ele destaca que, em modelos internacionais considerados adequados, o salário no fim da carreira costuma ser entre 70% e 100% superior ao valor inicial. Em alguns estados brasileiros, essa evolução ultrapassa 150%, enquanto em outros praticamente não há diferença.

Reflexos na qualidade do ensino

De acordo com o especialista, a baixa atratividade salarial pode influenciar diretamente o desempenho educacional. Indicadores como o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) colocam a Bahia em posições pouco favoráveis, o que, na avaliação dele, está ligado à falta de estímulo e valorização dos profissionais da educação.

Além da questão salarial, Rocha também chama atenção para a qualidade da formação docente. Ele critica a expansão acelerada de cursos de licenciatura a distância baseados em plataformas auto instrucionais, defendendo que a formação de professores exige interação humana e acompanhamento pedagógico constante.





Por Ataíde Barbosa/Foto: SEC/Arquivo

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