Justiça suspende eleição do Sindimed-BA após denúncias de irregularidades na lista de votantes
A 17ª Vara do Trabalho de Salvador determinou a suspensão imediata do processo eleitoral do Sindicato dos Médicos do Estado da Bahia (Sindimed-BA), que escolheria a diretoria para o quadriênio 2026-2030. A votação estava prevista para ocorrer nos dias 14 e 15 de abril, mas foi interrompida por decisão liminar do juiz Sebastião Martins Lopes diante de denúncias consideradas graves.
Na decisão, o magistrado fixou prazo de 48 horas para que a entidade apresente um relatório detalhado de todas as alterações realizadas na lista de associados aptos a votar. Em caso de descumprimento, foi estabelecida multa diária de R$ 10 mil.
As denúncias foram apresentadas pelo grupo de oposição Renova Sindimed, que aponta possíveis irregularidades na composição do colégio eleitoral. Entre as suspeitas, estão a inclusão de pessoas sem registro médico, como profissionais de outras áreas, além de nomes de médicos já falecidos. O grupo também afirma que diversos profissionais com direito a voto teriam sido excluídos sem justificativa clara.
O caso já vinha sendo acompanhado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT-BA), que, ainda no início de março, confirmou a abertura de procedimentos para apurar as denúncias.
Este não é o primeiro impasse envolvendo o processo eleitoral. A disputa para a nova gestão já havia sido adiada outras três vezes por decisões da Justiça do Trabalho. Em fevereiro, segundo a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, a suspensão ocorreu por questionamentos relacionados à falta de transparência na condução do pleito.
Para representantes da oposição, a instabilidade institucional compromete a atuação do sindicato em um momento delicado para a categoria médica. Segundo o médico Tiago Almeida, ligado ao movimento Renova Sindimed, a condução do processo eleitoral impacta diretamente a confiança dos profissionais.
Em resposta, o Sindimed-BA divulgou nota oficial negando qualquer irregularidade. A entidade classificou as acusações como caluniosas e afirmou que todas as mudanças na lista de votantes seguem critérios previstos no estatuto, como a exclusão de inadimplentes e a correção de inconsistências técnicas.
A diretoria também defendeu a segurança do sistema eleitoral, destacando que o processo exige identificação por CPF e comprovação do registro profissional, e atribuiu a judicialização a uma tentativa de desestabilização por parte da oposição.
Com a nova decisão, o futuro do processo eleitoral permanece indefinido até que a Justiça analise as informações solicitadas e decida sobre a continuidade do pleito.
Confira a nota na íntegra:
“Salvador, BA, 08 de abril de 2026 – A Diretoria Executiva do Sindicato dos Médicos no Estado da Bahia (SINDIMED/BA), por meio de sua Assessoria Jurídica, vem a público manifestar-se com veemência sobre as informações inverídicas e caluniosas veiculadas nos últimos dias, as quais culminaram, provisoriamente, na suspensão do processo eleitoral para a gestão 2026-2030 por meio de decisão liminar proferida pela 17ª. Vara do Trabalho de Salvador – BA.
É com profundo lamento que o SINDIMED/BA se vê obrigado a desmentir tais alegações, que buscam unicamente macular a integridade e a transparência de um processo eleitoral conduzido com estrito cumprimento das normas estatutárias e legais.”
Por Ataíde Barbosa/Foto: Divulgação




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