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Mesmo preso, Binho Galinha segue consumindo recursos públicos e levanta debate sobre mandato na Alba


Preso preventivamente desde outubro de 2025, o deputado estadual Binho Galinha continua gerando custos significativos aos cofres públicos mesmo afastado, na prática, das atividades parlamentares. Levantamento com base no portal de transparência da Assembleia Legislativa da Bahia aponta que, em cerca de seis meses, o parlamentar já consumiu aproximadamente R$ 435 mil em recursos públicos.

Desse total, cerca de R$ 225 mil foram destinados à chamada verba indenizatória — o “cotão” — utilizada para custear despesas relacionadas ao mandato. O dado chama atenção principalmente porque os repasses foram direcionados a apenas duas empresas, com justificativas genéricas ligadas à manutenção das atividades parlamentares.

A maior fatia desses recursos foi paga à empresa Editora Pipa, sediada em Feira de Santana, reduto político do deputado. Segundo os registros, os valores foram utilizados para serviços de divulgação do mandato, mesmo com o parlamentar custodiado. Outra parte foi destinada a um escritório de advocacia, sob a justificativa de prestação de suporte técnico ao mandato, sem detalhamento claro sobre os serviços executados.

Além disso, Binho Galinha segue recebendo normalmente o salário bruto mensal de cerca de R$ 35 mil, o que soma aproximadamente R$ 210 mil no período analisado. Como não houve cassação de mandato — apenas a manutenção da prisão autorizada pelo plenário da Legislativo baiano —, ele permanece com direito aos vencimentos e demais benefícios.

O custo total, no entanto, pode ser ainda maior. Isso porque a conta não inclui os salários de assessores e servidores vinculados ao gabinete do parlamentar, que continuam nomeados mesmo com a ausência prolongada do deputado das atividades legislativas.

Detido no Centro de Observação Penal, no Complexo da Mata Escura, em Salvador, Binho Galinha segue, oficialmente, ativo na política. Recentemente, migrou para o partido Avante, liderado na Bahia por Ronaldo Carletto, movimento que, nos bastidores, é interpretado como parte de uma possível estratégia visando as eleições futuras.

O deputado é investigado no âmbito da Operação El Patrón, que apura a atuação de uma suposta organização criminosa envolvida em práticas como extorsão, agiotagem e lavagem de dinheiro. A prisão foi decretada pela Justiça no início de outubro de 2025, e, após ser considerado foragido por dois dias, ele decidiu se entregar à Polícia Federal.

O caso reacende discussões sobre os limites legais e éticos da manutenção de mandatos parlamentares em situações de prisão preventiva, além do uso de recursos públicos em contextos onde não há exercício efetivo da função.




Por Ataíde Barbosa/Foto: Divulgação

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