Mortes por hipertensão disparam na Bahia e acendem alerta para diagnóstico e prevenção
O avanço da Hipertensão Arterial na Bahia tem preocupado especialistas após um aumento expressivo no número de óbitos. Dados do Ministério da Saúde, disponíveis no DataSUS, apontam que, nos dois primeiros meses de 2026, 25 pessoas morreram em decorrência da doença — um crescimento de 78,5% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram registradas 14 mortes. O número também representa o maior já contabilizado para janeiro e fevereiro nos últimos seis anos.
Especialistas alertam que o cenário está diretamente ligado ao subdiagnóstico e à dificuldade de adesão ao tratamento. A médica Thamine Lessa destaca que fatores como estresse, alimentação inadequada, consumo excessivo de sal e bebidas alcoólicas têm impacto direto no agravamento da condição. Segundo ela, o estilo de vida atual, marcado por alta pressão por desempenho, contribui para o aumento dos casos e das complicações.
A avaliação é reforçada pelo cardiologista Jadelson Andrade, que aponta crescimento no número de pessoas com pressão arterial descontrolada. Estima-se que cerca de 30% da população brasileira conviva com a doença, muitas vezes sem diagnóstico, já que se trata de uma condição silenciosa.
Caracterizada pela elevação persistente da pressão arterial acima de 140/90 mmHg, a hipertensão pode desencadear complicações graves, como Acidente Vascular Cerebral (AVC), infarto e problemas renais. A ausência de sintomas evidentes faz com que muitos pacientes só descubram a doença em exames de rotina ou após eventos mais graves.
A experiência da estudante Daiane Alves, de 40 anos, reflete essa realidade. Diagnosticada há pouco mais de um ano, ela precisou mudar radicalmente seus hábitos, adotando alimentação com baixo teor de sal, prática regular de atividades físicas e uso contínuo de medicação para controlar a pressão.
Entre os principais fatores de risco estão o tabagismo, sedentarismo, consumo de álcool, alimentação rica em sódio e o estresse. A incidência também aumenta com a idade e pode ser maior em grupos específicos, como pessoas com diabetes e a população negra, devido a fatores genéticos e sociais.
Diante do crescimento dos casos e das mortes, especialistas reforçam a importância do diagnóstico precoce, acompanhamento médico regular e mudanças no estilo de vida como principais estratégias para conter o avanço da hipertensão e reduzir seus impactos na saúde pública.
Por Ataíde Barbosa/Foto: Getty Imagem




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