Supervisão digital é cuidado, não invasão, defende psicóloga ao alertar sobre uso da internet por jovens
O avanço do acesso à internet entre crianças e adolescentes tem acendido um alerta cada vez mais urgente dentro das famílias. Em entrevista ao programa Metrópole Mais, a psicóloga Isabelle Nossas reforçou que o acompanhamento dos responsáveis no ambiente digital deve ser constante e responsável, acompanhando o crescimento e a autonomia dos jovens.
Segundo a especialista, o papel da família vai além de impor limites: trata-se de um exercício diário de cuidado.
“A responsabilidade da família é contínua. Não existe um momento em que esse cuidado deixa de ser necessário”, destacou. Para ela, à medida que crianças e adolescentes amadurecem, a supervisão pode até ser flexibilizada, mas nunca abandonada.
A psicóloga também abordou um tema que tem gerado debates: a percepção de que iniciativas como o chamado “ECA Digital” possam invadir a privacidade dos jovens. Isabelle rebate essa visão e reforça que o foco deve ser a proteção.
“Não estamos falando de invasão, mas de cuidado. Proteger é parte fundamental da responsabilidade familiar”, explicou.
No entanto, ela faz um alerta importante: a forma como esse acompanhamento é realizado faz toda a diferença. Quando conduzida de maneira autoritária ou sem diálogo, a supervisão pode ser interpretada como controle excessivo. Por outro lado, quando há conversa, orientação e construção de confiança, o acompanhamento se torna uma ferramenta de segurança e educação.
Outro ponto destacado pela especialista é a necessidade de iniciar esse diálogo desde cedo. Com a maioria das crianças já inserida no ambiente digital, o contato com telas exige orientação imediata.
“A partir do momento em que a criança tem acesso à internet, já é hora de conversar sobre limites, riscos e responsabilidade”, afirmou.
Diante de um cenário em que o mundo online faz parte da rotina desde a infância, o desafio das famílias é encontrar o equilíbrio entre liberdade e proteção — garantindo que o desenvolvimento digital aconteça de forma segura, consciente e acompanhada.
Por Ataíde Barbosa/Foto: Metropress/Fernanda Villas




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