Tempo de TV e rádio segue como peça-chave nas eleições de 2026 e amplia vantagem de grandes partidos
A disputa pelo tempo de propaganda no rádio e na televisão já movimenta os bastidores das eleições de 2026, sendo considerada uma das principais moedas de negociação entre partidos e candidatos. Pela legislação eleitoral, a divisão do tempo leva em conta o tamanho das bancadas na Câmara dos Deputados e o desempenho das siglas nas eleições anteriores, o que favorece legendas com maior representação.
Do total disponível, 90% do tempo é distribuído proporcionalmente ao número de deputados federais, enquanto os outros 10% são divididos igualmente entre os partidos que atingiram a chamada cláusula de barreira — regra que exige um desempenho mínimo nas urnas para garantir acesso a recursos e à propaganda eleitoral gratuita.
Na prática, esse modelo amplia a vantagem estrutural dos grandes partidos, que entram na disputa com maior visibilidade, enquanto siglas menores precisam recorrer a alianças para aumentar seu espaço na mídia. Por isso, o tempo de TV e rádio segue como fator decisivo na formação de coligações, tanto para a Presidência da República quanto para os governos estaduais.
Mesmo com o crescimento das redes sociais, a propaganda tradicional continua exercendo forte influência estratégica. Mais do que atingir diretamente o eleitor, o tempo de exposição se tornou um ativo valioso nas negociações políticas, garantindo peso a partidos que, mesmo com menor votação, possuem segundos importantes na divisão.
A propaganda eleitoral de 2026 terá início no dia 28 de agosto, cerca de 35 dias antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. Até lá, os cálculos mais precisos sobre o tempo de cada candidato dependem da oficialização das candidaturas e das alianças partidárias, que serão definidas nas convenções entre julho e agosto.
Na corrida presidencial, estimativas baseadas nas eleições de 2022 indicam vantagem para partidos como PT e PL, que possuem bancadas expressivas na Câmara. Já siglas que não atingiram a cláusula de desempenho tendem a depender mais de estratégias digitais e mobilização direta com o eleitorado.
Na Bahia, o cenário também reflete essa desigualdade. Levantamentos apontam que o grupo liderado pelo governador Jerônimo Rodrigues deve contar com mais de três minutos por bloco de propaganda. Já a coligação encabeçada pelo ex-prefeito ACM Neto aparece com o maior tempo estimado, próximo de cinco minutos. Em contraste, candidaturas de partidos menores terão poucos segundos, limitando sua exposição durante a campanha.
Diante desse cenário, o tempo de rádio e TV segue como um dos principais fatores de influência no jogo eleitoral, moldando alianças e estratégias em uma disputa que vai muito além das urnas.
Por Ataíde Barbosa/Foto: Reprodução




Nenhum comentário