Novidades


 

Uso de celular ao volante segue como desafio no trânsito de Salvador, apesar de multas e fiscalização


Mesmo com campanhas educativas e punições previstas em lei, o hábito de dirigir utilizando o celular continua sendo uma das infrações mais frequentes em Salvador. Em vias de grande movimento, como a Avenida Paralela, ACM e Bonocô, ainda é comum flagrar motoristas falando ao telefone, digitando mensagens ou acessando aplicativos enquanto conduzem.

A prática é considerada gravíssima pelo Código de Trânsito Brasileiro, com multa de R$ 293,47 e sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação. Ainda assim, os registros seguem em alta. Dados da Superintendência de Trânsito de Salvador mostram que, apenas no primeiro semestre de 2025, foram aplicadas 357.137 multas, número superior às 299.092 registradas no mesmo período de 2024.

O aumento das autuações reflete tanto a intensificação da fiscalização quanto o crescimento da frota, que já ultrapassa 1,1 milhão de veículos na capital. Somente em janeiro de 2025, mais de 58 mil infrações foram registradas. Em março, o número passou de 71 mil, enquanto abril superou 52 mil notificações. Embora os dados incluam diferentes tipos de irregularidades, o uso do celular ao volante permanece entre as principais ocorrências.

Segundo a Transalvador, o reforço nas ações busca reduzir comportamentos de risco e melhorar a segurança viária. Paralelamente, campanhas educativas tentam conscientizar os condutores sobre os perigos da distração ao volante.

De acordo com a Associação Brasileira de Medicina do Tráfego, o uso do celular compromete diretamente a capacidade de reação do motorista, afetando a atenção, a percepção de velocidade e a observação do ambiente ao redor. A entidade alerta que a prática envolve três tipos de distração simultâneos: visual, manual e cognitiva.

Estudos apontam que o risco de acidentes pode aumentar em até quatro vezes durante uma ligação e chegar a ser 23 vezes maior quando o motorista digita mensagens. No Brasil, cerca de 250 mil condutores são autuados todos os anos por esse tipo de infração.

Apesar do aumento da fiscalização, especialistas destacam que ainda há subnotificação, já que o flagrante depende muitas vezes da observação direta ou de imagens. Recursos como películas escuras e o uso rápido do aparelho dificultam a identificação.

Diante desse cenário, a ampliação do uso de tecnologias de monitoramento surge como alternativa para aumentar o controle. Ainda assim, especialistas reforçam que a mudança de comportamento dos motoristas é essencial. Afinal, mesmo em paradas rápidas ou congestionamentos, o uso do celular ao volante continua sendo infração e pode resultar em acidentes graves.




Por Ataíde Barbosa/Foto: Romildo de Jesus

Nenhum comentário