Bahia registra cidades em epidemia de dengue e autoridades reforçam alerta contra arboviroses
A Bahia voltou a acender o sinal de alerta para o avanço das arboviroses após seis municípios entrarem em situação de epidemia de dengue, segundo dados da Vigilância Epidemiológica da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), divulgados pelo Conselho Estadual de Saúde (CES). O cenário preocupa autoridades sanitárias, principalmente pelo risco de propagação rápida da doença para cidades vizinhas.
De acordo com especialistas, a condição de epidemia é caracterizada pelo crescimento acelerado de casos em um curto período de tempo. O virologista Gúbio Soares, conhecido por identificar o vírus da zika no Brasil, explicou que muitas pessoas dessas regiões podem não ter tido contato anterior com dengue, chikungunya ou zika, o que favorece a disseminação dos vírus.
Apesar do avanço em alguns municípios, os números gerais apontam redução de casos em relação ao ano passado. Até o dia 4 de maio, a Bahia contabilizou cerca de 9,1 mil casos prováveis de dengue, uma queda de 43,6% em comparação ao mesmo período de 2025, quando foram registrados mais de 16 mil casos.
Mesmo com a redução, o estado já confirmou 121 casos graves e duas mortes por dengue em 2026. Os óbitos ocorreram nas cidades de Juazeiro e Jequié. Segundo especialistas, fatores climáticos, como a diminuição das chuvas, podem ter contribuído para a queda nos números estaduais.
O presidente do Conselho Estadual de Saúde, Marcos Sampaio, destacou que, embora o cenário atual seja menos grave que o do ano passado, os cuidados precisam ser mantidos. Ele reforçou que a maior parte dos focos do mosquito Aedes aegypti continua dentro das residências.
Entre os municípios em situação mais delicada está Alagoinhas, que decretou situação de emergência após o aumento de casos de dengue, chikungunya e zika. Entre janeiro e abril, a cidade registrou mais de 1,3 mil notificações suspeitas das doenças. O decreto permite medidas emergenciais, como reforço no combate ao mosquito, contratação de serviços e ampliação de campanhas educativas.
A prefeitura informou ainda que milhares de imóveis não puderam ser vistoriados por falta de autorização dos moradores, dificultando o trabalho dos agentes de combate às endemias. Os bairros com maior número de notificações são Jardim Petrolar, Centro e Teresópolis.
Além da dengue, a Bahia também monitora casos de chikungunya e zika. Até maio, foram registrados 737 casos prováveis de chikungunya e 66 de zika no estado. Uma morte por chikungunya foi confirmada em Porto Seguro neste ano.
As autoridades reforçam que a principal forma de prevenção continua sendo a eliminação de água parada e possíveis criadouros do mosquito transmissor. A vacinação contra a dengue, produzida pelo Instituto Butantan, começou a ser distribuída na Bahia neste ano e é destinada a pessoas entre 15 e 59 anos, conforme critérios definidos pelo Ministério da Saúde.
Por Ataíde Barbosa/Foto: Bruno Concha/Secom PMS



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