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Líder evangélica aponta falta de acolhimento a mulheres vítimas de abuso nas igrejas


A coordenadora da Caminhada das Mulheres Evangélicas contra o Feminicídio, Dagmar Santos, afirmou que muitas mulheres vítimas de violência doméstica em ambientes religiosos enfrentam sentimentos de culpa, isolamento emocional e falta de acolhimento dentro das próprias comunidades de fé.

Durante entrevista ao programa Metropole Mais, da Rádio Metropole, Dagmar relatou que diversas vítimas acabam entrando em conflito consigo mesmas e até questionando a própria espiritualidade diante da ausência de apoio.

 “Vivemos um conflito interno, pessoal, que é tão violento quanto a violência que a gente sofre”, declarou.

Segundo ela, interpretações religiosas são frequentemente usadas para silenciar mulheres em relacionamentos abusivos. Ao relembrar experiências pessoais, Dagmar afirmou que era orientada a agir de forma submissa e silenciosa diante dos problemas. 

“Eu tinha que ser mansa, submissa, sábia”, disse.

A coordenadora também criticou a postura de algumas lideranças religiosas, apontando que determinados espaços ainda colocam pastores e dirigentes em posições consideradas incontestáveis, dificultando denúncias e debates sobre violência contra a mulher.

Dagmar destacou ainda que parte das estruturas religiosas continua reproduzindo visões conservadoras sobre o papel feminino, inclusive limitando a atuação de mulheres em cargos de liderança espiritual. 

Apesar disso, ela reconheceu avanços recentes dentro de alguns segmentos evangélicos, mas afirmou que a luta por igualdade e acolhimento ainda enfrenta muitos desafios.




Por Ataíde Barbosa/Foto: Fernanda Peixinho/Metropress

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