Mais de 61 mil trotes ao Samu em Salvador colocam atendimentos de emergência em risco
Enquanto equipes médicas trabalham para salvar vítimas de infarto, acidentes e outras situações graves, milhares de ligações falsas continuam sobrecarregando o serviço do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192) em Salvador. O que muitas vezes é tratado como brincadeira por quem pratica o trote pode causar atrasos em atendimentos reais e até colocar vidas em risco.
Dados da Secretaria Municipal da Saúde apontam que, ao longo de 2025, o Samu registrou 436.644 ocorrências na capital baiana. Deste total, 61.708 foram trotes, número que representa cerca de 14% de todas as chamadas recebidas pela Central de Regulação de Urgências.
Na prática, isso significa que milhares de vezes profissionais precisaram interromper atendimentos, conferir informações falsas e lidar com ligações feitas apenas para causar transtornos. Cada minuto perdido nessas situações pode comprometer o socorro de pacientes em estado grave.
O Samu funciona como um dos principais serviços de emergência do país. Através do telefone 192, médicos reguladores e equipes especializadas avaliam cada ocorrência e definem o envio de ambulâncias básicas ou avançadas conforme a gravidade do caso.
Quando uma ligação falsa entra no sistema, além de ocupar linhas telefônicas importantes, pode gerar deslocamento desnecessário de ambulâncias e reduzir a capacidade de resposta para emergências reais.
Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, não existe um perfil específico predominante entre os autores dos trotes, já que muitas chamadas são anônimas e encerradas rapidamente. Mesmo assim, as autoridades reforçam que esse tipo de prática é crime previsto no artigo 266 do Código Penal Brasileiro, que trata da interrupção ou perturbação de serviço de utilidade pública.
A pena pode variar de um a seis meses de detenção, além de multa. No caso de menores de idade, a situação é tratada como infração gravíssima pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), podendo resultar em medidas socioeducativas.
Para tentar reduzir o problema, a prefeitura aposta em campanhas educativas e no projeto “Samu nas Escolas”, que orienta crianças e adolescentes sobre o uso correto do serviço e os prejuízos causados pelos trotes.
Especialistas reforçam que o número 192 deve ser utilizado apenas em situações reais de urgência e emergência. Em casos de AVC, parada cardiorrespiratória ou acidentes graves, segundos podem fazer a diferença entre a vida e a morte.
Por Ataíde Barbosa/Foto: Divulgação


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