Luan Brandão destaca legado de José Ribeiro, defende diálogo e anuncia novos projetos para os comerciários de Simões Filho
Há seis meses na presidência do Sindicato dos Comerciários de Simões Filho, Luan Brandão afirma que o momento é de dar continuidade ao trabalho construído pelo saudoso José Ribeiro da Costa, sem perder de vista os novos desafios enfrentados pelos trabalhadores do comércio.
Em entrevista ao programa Panorama de Notícias, da Rádio Simões Filho FM 87.9, o dirigente falou sobre sua trajetória no movimento sindical, fez um balanço da gestão e apresentou os projetos que pretende desenvolver nos próximos meses.
Natural de Simões Filho, Luan contou que sua história no sindicato começou em 2007, quando foi convidado por José Ribeiro para integrar a diretoria da entidade. Desde então, passou a conhecer de perto o movimento sindical e a compreender a importância da defesa dos direitos dos trabalhadores.
"Quando cheguei ao sindicato, confesso que tinha uma visão completamente diferente do que era uma entidade sindical. Achava que sindicato servia apenas para fazer manifestações. José Ribeiro me mostrou que o sindicato é muito maior do que isso. Ele existe para proteger direitos, orientar trabalhadores, negociar e transformar a vida das pessoas. Foi ele quem me ensinou tudo o que sei sobre o movimento sindical", afirmou.
Ao lembrar do ex-presidente, Luan se emocionou e disse que assumir a cadeira ocupada por José Ribeiro representa uma grande responsabilidade.
"Eu queria muito que ele estivesse aqui para acompanhar esse momento da minha vida. Ele acreditou em mim, me deu oportunidades, conselhos e até puxões de orelha quando foi preciso. Hoje, quando sento na cadeira que era dele, lembro de todas as conversas que tivemos. Tenho certeza de que, onde ele estiver, está feliz em ver que o trabalho continua e que o sindicato permanece firme na defesa da categoria", declarou.
Conquistas da gestão
Ao fazer um balanço dos primeiros seis meses de mandato, o presidente destacou que uma das maiores vitórias foi a negociação das convenções coletivas de trabalho. Segundo ele, o sindicato conseguiu garantir reajustes salariais acima da inflação para diferentes segmentos do comércio.
"Pegamos negociações muito difíceis, mas conseguimos fechar as convenções com ganho real para os trabalhadores. Não foi uma conquista fácil. Foi resultado de muito diálogo, responsabilidade e firmeza na mesa de negociação. Esse foi um passo importante para mostrar que o sindicato continua forte e atuante", ressaltou.
Luan destacou ainda que a atual gestão busca devolver aos associados benefícios concretos por meio da contribuição sindical.
"Nossa ideia é que o trabalhador veja retorno. Por isso ampliamos os serviços oferecidos pelo sindicato. Hoje temos atendimento com psicólogo, nutricionista, massoterapeuta, estamos modernizando o salão de beleza e ainda realizamos sorteios de cestas básicas e vale-gás. Queremos que o comerciário perceba que sua contribuição volta em forma de benefícios para ele e para sua família", explicou.
Saúde mental preocupa sindicato
Durante a entrevista, Luan chamou atenção para o aumento dos casos de adoecimento emocional entre trabalhadores do comércio. Para ele, as cobranças diárias, as metas e a pressão no ambiente de trabalho têm afetado diretamente a saúde dos profissionais.
"O trabalhador está adoecendo mentalmente. Muitas vezes ele recebe uma pressão que nem deveria ser dele. Isso acaba gerando ansiedade, estresse e outros problemas. O sindicato precisa olhar para essa realidade e oferecer apoio. Defender direitos também significa cuidar das pessoas", disse.
Segundo o dirigente, esse cenário reforçou a decisão da entidade de incluir atendimento psicológico entre os serviços disponibilizados aos associados.
Jornada 5x2
Outro tema abordado foi a possibilidade de implantação de um projeto-piloto com jornada de trabalho no modelo 5x2 em uma empresa de Simões Filho. Embora a discussão sobre mudanças na legislação continue em âmbito nacional, Luan acredita que iniciativas locais podem servir de exemplo.
"Estamos dialogando para implantar um modelo que permita ao trabalhador ter mais qualidade de vida sem comprometer a produtividade da empresa. Um profissional descansado produz mais, trabalha melhor e entrega melhores resultados. Queremos mostrar, na prática, que é possível construir soluções equilibradas para empregados e empregadores", afirmou.
Diálogo como marca da gestão
Luan também falou sobre a relação entre o sindicato e o setor patronal. Segundo ele, a entidade está aberta ao diálogo permanente e acredita que a negociação é o melhor caminho para resolver conflitos.
"O sindicato não existe para criar guerra. Nosso papel é construir pontes. As portas estão abertas tanto para os trabalhadores quanto para os empresários. Quando existe diálogo, conseguimos encontrar soluções que preservam empregos, fortalecem as empresas e garantem os direitos conquistados pela categoria", destacou.
Ele reforçou que uma das prioridades da gestão é impedir qualquer retrocesso nas conquistas obtidas pelos comerciários.
"O direito conquistado é inegociável. Tudo aquilo que foi construído ao longo dos anos precisa ser preservado. Esse é o compromisso que assumimos quando chegamos à presidência do sindicato", pontuou.
Projetos para o segundo semestre
Entre as metas da atual gestão estão a conclusão da reforma e modernização da sede do sindicato, a realização de uma grande programação para o Dia do Comerciário, comemorado em outubro, e a criação de um campeonato regional em homenagem a José Ribeiro da Costa, reunindo equipes de comerciários de municípios da Região Metropolitana de Salvador.
Ao encerrar a entrevista, Luan Brandão fez um convite para que os trabalhadores participem mais da vida sindical e fortaleçam a entidade.
"Quero dizer aos comerciários que o sindicato é de vocês. Quem ainda não é associado, venha conhecer nosso trabalho. Estamos construindo uma entidade cada vez mais moderna, transparente e próxima da categoria. Um sindicato forte depende da participação dos trabalhadores, e nosso compromisso é continuar lutando por melhores condições de trabalho, mais qualidade de vida e respeito aos direitos de todos", concluiu.
Por Ataíde Barbosa



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