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Roberto Souza critica nova suspensão da eleição da Câmara e defende autonomia do Legislativo em Simões Filho


A nova suspensão judicial da eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Simões Filho para o biênio 2027/2028 voltou a provocar reações entre os parlamentares. Durante a sessão desta terça-feira, o vereador Roberto Souza afirmou que respeita a decisão da Justiça, mas lamentou o que classificou como uma interferência na autonomia do Poder Legislativo.

Segundo o parlamentar, a escolha da presidência da Câmara deve ser uma decisão exclusiva dos vereadores. 

"A gente respeita a decisão judicial, mas fica triste porque é uma intromissão em outro poder. A eleição da Mesa Diretora é uma decisão interna da Câmara, é aqui que deve ser definido quem vai conduzir esta Casa", declarou.

Apesar da suspensão, Roberto Souza reforçou que, na avaliação dele, o posicionamento da maioria dos parlamentares já demonstra o resultado da disputa. Ele lembrou que, em duas sessões consecutivas, 11 vereadores manifestaram publicamente apoio à recondução do presidente Itos Ramos.

"A eleição se deu de maneira moral. Onze vereadores declararam publicamente seus votos no presidente Itos. Acho muito difícil alguém voltar atrás depois de assumir esse compromisso diante da população e da imprensa."

O vereador também criticou a ausência de seis parlamentares na sessão ordinária. Para ele, mesmo diante da suspensão da eleição, os vereadores deveriam ter comparecido para participar dos debates.

"A Câmara ainda não entrou em recesso porque a LDO não foi votada. Eles deveriam estar aqui para fazer o contraponto, explicar por que são contra a eleição do presidente Itos. A política se faz com diálogo e discussão."

Durante a entrevista, Roberto Souza avaliou que o impasse acaba prejudicando a base governista, mas fez questão de separar o processo eleitoral interno da relação dos vereadores com o Executivo municipal.

"Ninguém aqui declarou oposição ao prefeito Del. Continuamos sendo base do governo. O que estamos defendendo é o direito dos vereadores escolherem quem vai conduzir o Poder Legislativo. Não estamos votando matéria do Executivo, estamos tratando de uma eleição interna."

Ao comentar as divergências dentro do grupo político, o parlamentar defendeu que elas sejam resolvidas por meio do diálogo e pediu uma reaproximação entre o Executivo e a Câmara.

"Tudo era construído através da conversa. Espero que o prefeito Del sente com a Casa e reveja esse posicionamento para que possamos manter a unidade do grupo."

Questionado sobre a proximidade das comemorações da Independência da Bahia, Roberto Souza afirmou que a Câmara já exerce sua independência institucional e voltou a criticar o que considera interferências externas.

"A Câmara já é um poder independente. O que estamos estranhando é a intromissão de outros poderes nas decisões do Legislativo. A Constituição garante essa separação."

Ao final da entrevista, o vereador procurou tranquilizar a população e afirmou que as divergências fazem parte do ambiente político, desde que sejam conduzidas com respeito.

"A população pode ter certeza de que esta Casa continuará tomando decisões pensando no que é melhor para Simões Filho. Divergências existem em qualquer lugar, mas o respeito precisa prevalecer e o compromisso dos vereadores deve ser sempre com a população."




Por Ataíde Barbosa

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