Gabriel Marques detalha bastidores da rodoviária, defende legado de obras e rebate críticas em Simões Filho
O ex-secretário municipal de Infraestrutura de Simões Filho, Gabriel Marques, participou do programa Panorama de Notícias, da Rádio Simões Filho FM 87.9 na tarde desta terça-feira (25), e fez uma ampla avaliação sobre a construção da nova rodoviária do município, os investimentos realizados durante as gestões de Diógenes Tolentino e Devaldo Soares, além das críticas e denúncias que vêm sendo apresentadas no cenário político local.
Durante a entrevista, Gabriel buscou esclarecer dúvidas relacionadas aos valores da obra da rodoviária e afirmou que existe, segundo ele, uma interpretação equivocada sobre o montante previsto no contrato e o que efetivamente já foi pago ou executado.
De acordo com o ex-secretário, em 2024 o então prefeito Diógenes Tolentino conseguiu viabilizar um financiamento junto ao Banco do Brasil no valor aproximado de R$ 11 milhões. Desse montante, cerca de R$ 9 milhões teriam sido direcionados diretamente para o início da construção da nova rodoviária.
O contrato global da obra, conforme explicou Gabriel, está estimado em aproximadamente R$ 21 milhões. No entanto, ele ressaltou que o valor total do contrato não representa o que já foi efetivamente gasto.
“É importante a gente desconstruir esse mito de que, de fato, já foram gastos R$ 20 milhões. Isso não é verdade. Hoje nós temos um gasto estimado na ordem de R$ 7 milhões”, afirmou.
Gabriel explicou que, no encerramento de 2024, os serviços executados estavam na faixa de R$ 3,5 milhões a R$ 4 milhões e que, posteriormente, outras etapas foram realizadas.
Escolha do terreno levou em conta mobilidade
Outro ponto abordado durante a entrevista foi a escolha do terreno onde a nova rodoviária está sendo construída.
Segundo Gabriel, a definição da área não ocorreu de maneira aleatória. O local teria sido escolhido após análises técnicas envolvendo questões de mobilidade urbana, fluxo de ônibus, crescimento populacional e uma possível integração futura com o sistema metroviário.
O ex-secretário explicou que uma das possibilidades consideradas foi a expansão do metrô para a região próxima ao empreendimento. Caso esse projeto avance, a localização da rodoviária poderia facilitar a integração entre diferentes modais de transporte.
“Essa foi a escolha que a gente conseguiu dentre todas as variáveis e todas as análises técnicas”, afirmou.
Gabriel também destacou que a região escolhida já possui uma movimentação histórica de ônibus às margens da BR-324, o que, na avaliação dele, reforçou a viabilidade do terreno.
Outro fator considerado teria sido o crescimento de Simões Filho. Para o ex-secretário, levar toda a circulação de ônibus para uma área mais central poderia gerar impactos negativos na mobilidade urbana.
Adutora da Embasa virou um dos principais desafios
A entrevista também revelou detalhes dos obstáculos encontrados durante a execução da obra.
Gabriel contou que uma das principais dificuldades foi identificada por causa da existência de uma adutora da Embasa dentro do terreno. A estrutura transporta água do sistema Pedra do Cavalo para abastecer municípios da Região Metropolitana de Salvador.
Segundo ele, a presença da tubulação exigiu cuidados especiais no projeto e durante a movimentação de terra.
“Quando iniciamos a movimentação de terra, nós descobrimos que grande parte do trecho da tubulação que passa dentro do terreno precisava estar descoberto”, explicou.
A situação teria levado a novas avaliações técnicas e à necessidade de adequações no projeto para garantir a proteção da adutora.
Gabriel comparou o episódio a uma reforma residencial, na qual problemas não identificados inicialmente aparecem quando a obra começa.
“Quando a gente inicia uma reforma na nossa casa, começa a fazer a intervenção e, quando percebe, encontra um ponto que não esperava e acaba acontecendo um investimento que não estava previsto”, exemplificou.
Além da adutora, outro problema encontrado foi a condição do próprio terreno. Segundo Gabriel, durante anos a área teria recebido material orgânico, lixo, entulho e resíduos de obras.
A movimentação necessária para preparar o local teria revelado uma série de dificuldades que contribuíram para o atraso do cronograma.
Alterações no projeto e expectativa de avanço
O ex-secretário afirmou que o projeto básico já contemplava mecanismos para eventuais alterações, justamente por se tratar de uma obra de grande porte.
Segundo ele, foram necessárias mudanças principalmente nos serviços de movimentação de terra e no sistema de drenagem.
Gabriel afirmou que essa fase foi concluída durante o período em que esteve à frente da Secretaria de Infraestrutura e que o atual secretário, Geasi Silva, recebeu a pasta com essa etapa encaminhada.
“Essa questão foi concluída e a obra agora vai começar a ganhar uma visibilidade muito maior”, declarou.
A expectativa, segundo ele, é que as próximas etapas permitam à população visualizar de maneira mais clara a construção das estruturas que farão parte da nova rodoviária.
Gabriel também rebateu a ideia de que a obra teria se limitado à movimentação de terra.
“Essa parte já foi totalmente superada e a obra agora vai ganhar um rumo”, afirmou.
Ex-secretário critica o que considera “narrativas” políticas
Durante a conversa, Gabriel Marques também falou sobre as críticas direcionadas às administrações municipais e afirmou que algumas denúncias apresentadas no cenário político seriam, na avaliação dele, infundadas.
O ex-secretário fez questão de destacar que não é contrário à fiscalização e que qualquer gestor público está sujeito a questionamentos.
“Todo gestor é suscetível a passar por denúncias. Mas as motivações pelas quais são feitas, muitas vezes, são um desserviço à sociedade”, afirmou.
Segundo Gabriel, durante sua passagem pela Secretaria de Infraestrutura, o município respondeu a questionamentos de órgãos de controle e apresentou documentos relacionados às obras.
Ele citou inclusive a presença do Ministério Público no canteiro da rodoviária, ocasião em que, segundo seu relato, profissionais envolvidos no empreendimento prestaram esclarecimentos.
“As prestações de contas, tanto junto aos bancos de financiamento quanto ao Tribunal de Contas, são feitas dentro de todos os esclarecimentos necessários”, declarou.
Para Gabriel, o debate público precisa separar a fiscalização legítima de acusações que não tenham comprovação.
“Tenho confiança na seriedade do meu trabalho e tenho certeza de que todos os avanços que nós trouxemos para a nossa cidade são reconhecidos pela população”, afirmou.
Dinha e a situação financeira de Simões Filho
Outro momento de destaque da entrevista ocorreu quando Gabriel relembrou a situação financeira encontrada pela gestão de Diógenes Tolentino ao assumir a Prefeitura de Simões Filho, em 2017.
Segundo os números citados por ele durante o programa, o município encerrou 2016 com comprometimento de aproximadamente 91% da Receita Corrente Líquida com endividamento.
Gabriel usou o percentual para dimensionar o tamanho do desafio enfrentado pela administração naquele período.
“Como é que a cidade anda, como é que a cidade cresce, se 91% daquilo que você arrecada precisa estar comprometido com o débito?”, questionou.
Ele também lembrou que, no início de 2017, Diógenes Tolentino visitou equipamentos públicos para conversar com servidores e tratar das dificuldades encontradas na administração.
Segundo Gabriel, havia estruturas em condições precárias e problemas relacionados ao pagamento de despesas e à manutenção dos equipamentos.
Na avaliação do ex-secretário, a redução do endividamento teria permitido ao município recuperar sua capacidade de investimento.
Ele afirmou que o índice teria caído de aproximadamente 91% para algo entre 45% e 50% ao final da gestão de Diógenes Tolentino, enquanto a administração de Devaldo Soares teria dado continuidade à política de responsabilidade fiscal.
Rodoviária depende de planejamento financeiro
Gabriel relacionou a discussão sobre a saúde financeira do município diretamente à construção da nova rodoviária.
Segundo ele, uma obra de aproximadamente R$ 21 milhões não poderia ser contratada sem planejamento sobre a capacidade de pagamento do município.
“O prefeito não precisa simplesmente assinar o contrato. Ele tem que ter responsabilidade para aquilo que está colocando. A gente precisa mostrar de onde viria a arrecadação, fazer essa projeção”, explicou.
Para o ex-secretário, a própria possibilidade de tirar a rodoviária do papel estaria relacionada ao processo de recuperação da capacidade financeira do município.
Obras são citadas como marca das gestões
Ao longo da entrevista, Gabriel também relembrou diversos equipamentos e intervenções realizadas durante os anos em que esteve na administração municipal.
Entre os projetos destacados estão intervenções viárias, praças, equipamentos esportivos e investimentos na área da saúde.
Ele citou, por exemplo, a revitalização do estádio municipal, que, segundo ele, deixou de ser um espaço praticamente sem condições de receber partidas para voltar a sediar competições e atividades esportivas.
“Quem participou do processo de ver a cidade ser reconstruída leva essa sensação de dever cumprido”, afirmou.
Gabriel também destacou que a engenharia pública não deveria ser avaliada apenas pela construção física de um equipamento, mas pelo impacto que ele provoca na vida da população.
“Um dos grandes aprendizados que eu tive com a edificação pública é saber que aquilo que você construiu, o bem ao qual vai causar, aonde isso vai chegar”, disse.
Saúde e CECAD também foram lembrados
Na área da saúde, Gabriel destacou investimentos realizados durante a gestão de Diógenes Tolentino, especialmente após a pandemia de Covid-19.
Entre eles, citou a implantação de dez leitos de UTI no Hospital Municipal e a criação do Centro de Bioimagem, equipamento que, segundo ele, ampliou o acesso da população a exames de diagnóstico por imagem.
O ex-secretário também falou sobre o CECAD, ressaltando a importância do equipamento para famílias que buscam atendimento especializado.
“Existem obras que marcam a gente. Marcaram a gente de ver o atendimento, principalmente de crianças autistas”, declarou.
Gabriel destacou ainda o atendimento de mães atípicas e afirmou que a implantação de um equipamento especializado representou uma mudança importante para famílias que anteriormente precisavam buscar atendimento em outros municípios.
Críticas são importantes, mas devem ser acompanhadas de fatos
Apesar de defender as gestões das quais participou, Gabriel afirmou que não é contrário às críticas.
Segundo ele, gestores públicos precisam reconhecer erros e estar abertos a correções.
“Sou suscetível a falhas. Sou homem, tenho meus defeitos também”, afirmou.
Para o ex-secretário, a crítica pode ser importante justamente para impedir que uma administração entre em uma zona de conforto.
O problema, na visão dele, ocorre quando questionamentos são transformados em acusações sem comprovação.
Gabriel também questionou a mudança de posicionamento de alguns vereadores que, segundo ele, acompanharam de perto a gestão de Diógenes Tolentino e atualmente fazem críticas aos mesmos projetos e resultados que anteriormente teriam presenciado.
“Será que as pessoas não estão usando essas ferramentas de denunciar, de usar o microfone nas sessões, para talvez trazer algumas insatisfações pessoais?”, questionou.
Intervenções no CIA I
Para reforçar seu argumento, Gabriel citou intervenções realizadas no CIA I, especialmente na região próxima ao Colégio Georgina de Sousa.
Segundo ele, somente em 2024 foram realizadas intervenções em aproximadamente 16 a 18 ruas com pavimentação em paralelepípedo.
Também foram citadas melhorias em praças e espaços esportivos, incluindo áreas que, de acordo com Gabriel, anteriormente apresentavam condições precárias.
“Hoje você vê, na sessão, as pessoas dizendo: ‘Onde é que estão as obras?’. Chega a ser irônico”, afirmou.
Gabriel deixa Infraestrutura e elogia sucessor
Ao falar sobre sua saída da Secretaria de Infraestrutura, Gabriel fez questão de elogiar o atual titular da pasta, Geasi Silva.
Segundo ele, a transição ocorreu de maneira colaborativa e o atual secretário assumiu uma área que considera desafiadora.
“É uma pasta desafiadora, mas ele tem logrado muito êxito. Estou torcendo por ele”, afirmou.
Gabriel também agradeceu aos servidores da Secretaria de Infraestrutura e disse que a experiência de quase uma década na administração pública foi marcada por aprendizados profissionais e pessoais.
“Não é só uma questão de liderar, mas é uma questão de aprender também”, declarou.
Ao concluir sua participação no Panorama de Notícias, Gabriel Marques reforçou que considera a nova rodoviária um dos projetos mais importantes atualmente em andamento no município e defendeu que o debate sobre a obra seja baseado em informações técnicas, valores efetivamente executados e no acompanhamento das próximas etapas.
Para o ex-secretário, a evolução da construção deverá permitir que a população visualize, nos próximos meses, uma mudança significativa no canteiro de obras.
A entrevista também serviu para Gabriel fazer uma defesa do legado administrativo das gestões das quais participou e rebater críticas que, segundo ele, não correspondem à realidade dos investimentos realizados no município.
“Não estou aqui para fazer juízo do valor de ninguém. Mas nada supera a verdade”, afirmou.
Por Ataíde Barbosa



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