Servidores do Judiciário Federal paralisam atividades na Bahia por reajuste e melhores condições de trabalho
Servidores do Poder Judiciário Federal na Bahia realizam, nesta quinta-feira (13), uma paralisação de 24 horas para cobrar a reestruturação da carreira e a recomposição salarial da categoria. A mobilização também pressiona o Congresso Nacional pela derrubada do Veto nº 45, que retirou duas parcelas finais de um reajuste remuneratório anteriormente conquistado pelos trabalhadores.
A programação inclui um ato público marcado para as 10h30, na sede dos Juizados Especiais Federais (JEF), no Centro Administrativo da Bahia (CAB), em Salvador. A manifestação também será transmitida pela internet para servidores que atuam nas subseções do interior do estado.
Sindicato aponta déficit de servidores
De acordo com o Sindicato das Trabalhadoras e dos Trabalhadores do Poder Judiciário Federal na Bahia (Sindjufe-BA), os órgãos federais do estado enfrentam um déficit de mais de 700 servidores. A entidade afirma que a falta de profissionais tem contribuído para o aumento da carga de trabalho, o acúmulo de processos e a demora na prestação dos serviços à população.
O sindicato também critica a adoção de alternativas à contratação de servidores efetivos. Segundo a entidade, a substituição de concursos públicos por outras formas de composição das equipes ocorre em meio a um cenário de cobrança elevada por produtividade e cumprimento de metas.
Para a representação sindical, esse ambiente tem provocado consequências sobre a saúde dos trabalhadores, com aumento de relatos de assédio e adoecimento relacionado ao trabalho.
Categoria cobra recomposição salarial
Outro ponto central da paralisação é a defasagem dos salários. Os servidores do Judiciário Federal não possuem data-base ou mecanismo de dissídio coletivo que garanta negociações periódicas para a atualização dos vencimentos.
Segundo o Sindjufe-BA, a ausência de um instrumento permanente de negociação contribuiu para uma perda acumulada superior a 40% diante da inflação ao longo dos últimos 15 anos.
A categoria reúne servidores dos ramos Trabalhista, Eleitoral, Federal e Militar do Judiciário. Os trabalhadores defendem que a recomposição dos vencimentos seja tratada como uma medida necessária para recuperar o poder de compra e valorizar a carreira.
Críticas à distribuição do orçamento
O sindicato também contesta os argumentos de limitação orçamentária utilizados para justificar a falta de recomposição salarial. A entidade questiona a existência de vantagens e pagamentos adicionais destinados à magistratura enquanto, segundo sua avaliação, permanecem pendências relacionadas à remuneração e às condições de trabalho dos servidores.
Para o Sindjufe-BA, a discussão envolve não apenas a disponibilidade de recursos, mas também a forma como o orçamento do Judiciário é distribuído entre as diferentes categorias que integram o sistema.
Com a paralisação, os servidores buscam pressionar o Congresso pela revisão do veto e chamar atenção para as reivindicações relacionadas à carreira, à recomposição salarial e às condições de trabalho no Judiciário Federal.
Por Ataíde Barbosa/Foto: Divulgação



Nenhum comentário