AtlasIntel mostra disputa acirrada pelo Governo da Bahia e revela mapa dividido entre ACM Neto e Jerônimo
A corrida pelo Governo da Bahia em 2026 aparece marcada por um cenário de equilíbrio entre ACM Neto (União Brasil) e o atual governador Jerônimo Rodrigues (PT). É o que aponta o primeiro levantamento do instituto AtlasIntel para a disputa estadual, divulgado nesta quinta-feira (3).
Segundo a pesquisa, ACM Neto registra 48,8% das intenções de voto, enquanto Jerônimo Rodrigues aparece com 47,5%. A diferença de 1,3 ponto percentual está dentro da margem de erro de dois pontos, o que caracteriza empate técnico entre os dois principais candidatos.
Apesar do equilíbrio no resultado estadual, os números revelam uma forte divisão regional do eleitorado baiano. O desempenho de cada candidato varia significativamente de acordo com a região analisada, reproduzindo, em grande medida, o comportamento eleitoral observado na disputa de 2022.
ACM Neto lidera em Salvador e no Recôncavo
A principal vantagem de ACM Neto está concentrada na região metropolitana de Salvador e seu entorno. De acordo com o levantamento, na chamada mesorregião de Salvador, o ex-prefeito da capital alcança 55,9% das intenções de voto, enquanto Jerônimo aparece com 38%.
O resultado mostra a força do eleitorado oposicionista na capital baiana e nas cidades que integram sua área de influência.
Neto também aparece à frente em outra região que reúne municípios importantes do Recôncavo e do sul do estado, incluindo Santo Antônio de Jesus, Ilhéus e Itabuna. Nesse recorte, o candidato do União Brasil registra 53,2%, contra 46,1% de Jerônimo Rodrigues.
Jerônimo mantém vantagem no interior
Se ACM Neto apresenta desempenho superior na capital e em parte do litoral e Recôncavo, Jerônimo Rodrigues consegue ampliar sua vantagem nas demais regiões do interior baiano.
Na mesorregião de Feira de Santana, o governador aparece com 61,3% das intenções de voto, contra 37,1% de ACM Neto. O resultado representa uma das maiores diferenças registradas entre os dois candidatos no levantamento.
A vantagem petista também aparece na região que engloba Barreiras, no oeste, e Guanambi e Vitória da Conquista, no sudoeste. Nesse território, Jerônimo soma 52,6%, enquanto ACM Neto alcança 46,8%.
Já na mesorregião formada por municípios como Juazeiro, Paulo Afonso e Irecê, o governador também aparece numericamente à frente. Jerônimo registra 48,8%, contra 45,5% de ACM Neto. A diferença, porém, permanece dentro da margem de erro, configurando empate técnico nesse recorte.
Mapa eleitoral repete padrão de 2022
Os números apresentados pelo AtlasIntel apontam para uma configuração semelhante à observada na eleição de 2022, quando ACM Neto teve desempenho expressivo em Salvador e em grandes centros urbanos, mas não conseguiu superar a vantagem construída por Jerônimo no interior.
Naquela eleição, Jerônimo Rodrigues venceu em 364 municípios, enquanto ACM Neto levou a melhor em 53 cidades.
O atual levantamento sugere novamente uma divisão territorial do voto. Enquanto ACM Neto apresenta maior força na capital e em determinados polos regionais, Jerônimo demonstra vantagem mais ampla nas áreas do interior, especialmente em regiões com forte presença de municípios de menor porte.
Essa distribuição pode ser determinante para o resultado final, já que a Bahia possui um eleitorado espalhado por diferentes regiões com características políticas e socioeconômicas distintas.
Metodologia
A pesquisa AtlasIntel ouviu 1.804 eleitores baianos entre os dias 28 de agosto e 2 de setembro de 2026. A coleta foi realizada por meio de recrutamento digital aleatório (RDR).
O levantamento possui nível de confiança de 95% e margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BA-08891/2026.
Com a disputa estadual tecnicamente empatada, os dados mostram que a eleição para o Governo da Bahia poderá ser decidida não apenas pela força dos candidatos em Salvador, mas principalmente pela capacidade de ampliar votos nos diferentes territórios do interior. O cenário, por enquanto, aponta para uma corrida apertada e marcada por uma clara divisão geográfica do eleitorado baiano.
Por Ataíde Barbosa/Foto: Wuiga Rubini/GOVBA e Reprodução/Redes Sociais



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