Além do Outubro Rosa, Bahia acende alerta verde contra a sífilis após mais de 16 mil casos registrados em 2025
Enquanto o Outubro Rosa mobiliza a população para a prevenção do câncer de mama, outra campanha de conscientização ganha espaço neste mês: o Outubro Verde, dedicado ao enfrentamento da sífilis e da sífilis congênita. Na Bahia, os números apresentados pela Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) reforçam a importância do alerta, com 16.207 casos da infecção registrados em 2025.
A mobilização busca ampliar o conhecimento da população sobre uma doença que tem cura, mas que, quando não diagnosticada e tratada adequadamente, pode provocar complicações graves, especialmente durante a gravidez.
O calendário nacional reserva o terceiro sábado de outubro para o Dia Nacional de Combate à Sífilis e à Sífilis Congênita, instituído pela Lei Federal nº 13.430/2017. Neste ano, a data será celebrada em 17 de outubro.
Doença silenciosa exige atenção redobrada
Causada pela bactéria Treponema pallidum, a sífilis é uma infecção sexualmente transmissível que pode atingir pessoas de diferentes idades. Sua transmissão ocorre principalmente por meio do contato sexual com lesões infecciosas, além da possibilidade de transmissão da gestante para o bebê.
Um dos maiores perigos está na evolução silenciosa da doença. Em sua fase inicial, a infecção pode provocar uma ferida indolor, geralmente na região genital, anal ou oral. Com o avanço do quadro, podem aparecer manchas na pele, febre e outras manifestações.
Entretanto, os sintomas podem desaparecer mesmo sem tratamento, o que não significa que a pessoa esteja curada. A bactéria pode permanecer no organismo e, ao longo do tempo, causar danos ao sistema nervoso, ao coração e a outros órgãos.
Bahia contabilizou mais de 12 mil casos de sífilis congênita em dez anos
O cenário é especialmente preocupante quando a infecção atinge mulheres grávidas. A transmissão da sífilis para o bebê pode ocorrer durante a gestação e provocar consequências que comprometem a saúde e até a sobrevivência da criança.
Segundo os dados apresentados pela Sesab, entre 2015 e 2024, a Bahia contabilizou 85.619 notificações de sífilis adquirida, 39.651 casos em gestantes e 12.758 registros de sífilis congênita.
No mesmo intervalo, foram registrados 115 óbitos de crianças menores de um ano em decorrência da infecção.
A doença pode provocar parto prematuro, aborto espontâneo, morte fetal e alterações no desenvolvimento infantil, incluindo comprometimentos auditivos, visuais e ósseos.
Por isso, o acompanhamento pré-natal é considerado uma das principais ferramentas para interromper a transmissão da sífilis da mãe para o bebê.
Diagnóstico rápido e tratamento gratuito podem salvar vidas
Apesar dos riscos, a sífilis tem tratamento eficaz, oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A identificação pode ser realizada por meio de testes rápidos disponíveis nas unidades de saúde. O procedimento é simples e permite ampliar as oportunidades de diagnóstico, inclusive entre pessoas que não apresentam sintomas.
O tratamento utiliza antibióticos, principalmente a penicilina benzatina, popularmente conhecida como Benzetacil, cuja administração deve seguir orientação profissional.
Outro ponto importante é a avaliação das parcerias sexuais. Sem os cuidados necessários, uma pessoa que concluiu o tratamento pode voltar a contrair a infecção caso tenha contato sexual desprotegido com alguém infectado.
Em Salvador, a população pode procurar as unidades municipais de atenção primária para solicitar gratuitamente a testagem de sífilis e outras infecções sexualmente transmissíveis.
Outubro Verde reforça compromisso com a prevenção
A campanha também chama atenção para a importância do uso de preservativos, da realização periódica de exames e da busca por atendimento diante de qualquer suspeita de infecção.
No caso das gestantes, a testagem durante o pré-natal e o início imediato do tratamento, quando necessário, são medidas fundamentais para proteger a saúde da mãe e do bebê.
Mais do que uma mobilização de calendário, o Outubro Verde representa um alerta para toda a sociedade: a sífilis tem cura, o diagnóstico é acessível e a prevenção pode evitar consequências irreversíveis.
Diante dos números registrados na Bahia, a conscientização permanece como um caminho indispensável para reduzir a transmissão da doença e impedir que novos casos de sífilis congênita continuem ameaçando a vida de crianças.
Por Ataíde Barbosa/Foto: Divulgação/Semsa Manaus




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