Dinha: cinco vitórias nas urnas e uma trajetória política que não pode ser apagada por uma derrota
A trajetória política de Diógenes Tolentino, Dinha, é construída sobre persistência, crescimento eleitoral e vitórias importantes nas urnas. Ex-prefeito de Simões Filho e uma das principais lideranças políticas da Região Metropolitana de Salvador, Dinha acumulou, ao longo dos anos, uma sequência de conquistas que ajudaram a transformar seu nome em uma das forças políticas mais relevantes do município.
A história, no entanto, começou antes das vitórias. Depois de passar pela Câmara Municipal como vereador, Dinha decidiu disputar o comando do Executivo. Nas eleições de 2008 e 2012, acabou derrotado na corrida pela Prefeitura, mas não abandonou o projeto político.
Pelo contrário. Mesmo sem vencer aqueles dois pleitos, Dinha apresentou crescimento de uma eleição para outra e manteve sua presença ativa na política de Simões Filho. A persistência acabou sendo determinante para o resultado que viria quatro anos depois.
Primeira vitória: a chegada à Prefeitura em 2016
Em 2016, Diógenes Tolentino finalmente alcançou o principal objetivo de sua carreira política até aquele momento: foi eleito prefeito de Simões Filho.
Dinha conquistou 34.433 votos, correspondentes a 59,33% dos votos válidos. A vitória representou a consolidação de um projeto construído durante anos e colocou o então candidato no comando do Executivo Municipal.
A eleição também marcou uma virada na trajetória de uma liderança que havia enfrentado duas derrotas anteriores, mas que conseguiu transformar a persistência em vitória.
Segunda vitória: Kátia Oliveira chega à Assembleia em 2018
Dois anos depois de conquistar a Prefeitura, Dinha enfrentou um novo desafio eleitoral. Desta vez, o objetivo era ampliar a força de seu grupo político para além de Simões Filho.
Em 2018, sua esposa, Kátia Oliveira, disputou uma vaga na Assembleia Legislativa da Bahia pelo MDB. O resultado confirmou a força eleitoral construída pelo grupo: Kátia foi eleita deputada estadual com 27.206 votos.
A eleição representou uma nova conquista para Dinha, que passou a ter uma representante diretamente ligada ao seu grupo político no Legislativo estadual.
Terceira vitória: reeleição em 2020
Em 2020, Dinha voltou às urnas para disputar a própria permanência no comando da Prefeitura de Simões Filho.
Em meio a um cenário completamente diferente provocado pela pandemia da Covid-19, o então prefeito enfrentou novamente Eduardo Alencar, um de seus principais adversários políticos.
Dinha venceu a eleição com 33.972 votos, alcançando 55,10% dos votos válidos. A reeleição confirmou a capacidade de transferência de votos e a manutenção de uma base política construída durante o primeiro mandato.
Quarta vitória: Kátia é reeleita em 2022
A força do grupo voltou a ser colocada à prova em 2022. Kátia Oliveira disputou novamente uma vaga na Assembleia Legislativa da Bahia e conseguiu a reeleição com uma votação expressiva.
A deputada alcançou 80.417 votos em todo o estado. Em Simões Filho, sua principal base política, foram 26.470 votos.
O resultado mostrou que o grupo liderado por Dinha continuava competitivo e capaz de produzir votações expressivas tanto no município quanto fora dele.
Quinta vitória: Dinha consegue eleger o sucessor em 2024
Talvez um dos maiores desafios para qualquer prefeito seja conseguir eleger seu sucessor. Em Simões Filho, Dinha conseguiu realizar essa tarefa.
Nas eleições municipais de 2024, Devaldo Soares foi eleito prefeito, garantindo a continuidade do grupo político construído por Dinha ao longo de sua trajetória.
A vitória teve um significado especial porque representou a transferência de um projeto político para além de dois mandatos consecutivos no Executivo Municipal.
Com isso, Dinha chegou a cinco vitórias eleitorais diretamente ligadas ao seu projeto político: a eleição para prefeito em 2016, a eleição de Kátia Oliveira para deputada estadual em 2018, sua própria reeleição em 2020, a reeleição de Kátia em 2022 e a eleição de Devaldo Soares para prefeito em 2024.
Uma derrota não apaga uma história
Nas eleições deste domingo (4), Kátia Oliveira não conseguiu renovar seu mandato na Assembleia Legislativa da Bahia. O resultado, naturalmente, representa uma derrota eleitoral para o grupo.
Mas uma eleição não é capaz de apagar uma trajetória construída durante anos.
A política é feita de vitórias e derrotas. Nenhum grupo permanece permanentemente vencedor, e resultados eleitorais podem mudar de acordo com o momento, o cenário e as circunstâncias de cada disputa.
No caso de Dinha, o resultado de 2026 precisa ser analisado dentro de uma história muito maior.
Foram anos de construção política, duas derrotas antes da primeira vitória para prefeito, duas eleições vencidas para o Executivo Municipal, duas eleições de Kátia Oliveira vencidas para a Assembleia e, ainda, a conquista considerada por muitos como uma das mais difíceis na política: a eleição de um sucessor para comandar a Prefeitura.
A derrota de Kátia, portanto, faz parte da trajetória, mas não define a trajetória.
Dinha segue sendo uma liderança que marcou a política de Simões Filho e construiu um grupo com presença não apenas no município, mas também na Região Metropolitana de Salvador. As urnas de 2026 trouxeram um resultado adverso para seu grupo, mas não têm força suficiente para apagar as cinco grandes vitórias que ajudaram a construir sua história política.
Na política, uma derrota pode interromper uma sequência de vitórias.
O que ela não consegue fazer, por si só, é reescrever o passado.
Por Ataíde Barbosa



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