Longevidade no trabalho: presença de profissionais com 60 anos ou mais cresce 53% em dez anos no Brasil
O mercado de trabalho brasileiro passa por uma profunda transformação impulsionada pelo envelhecimento da população. Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o número de pessoas com 60 anos ou mais que continuam ativas profissionalmente cresceu 53% em uma década — um ritmo significativamente superior à expansão da própria faixa etária, que registrou alta de 37% no mesmo período.
Em 2024, o patamar atingiu um recorde histórico: 24,4% das pessoas com 60 anos ou mais estavam ocupadas, refletindo um universo de 34,1 milhões de brasileiros nessa idade. Esse movimento de permanência ativa é impulsionado por fatores como o aumento da expectativa de vida, alterações nas regras previdenciárias e o desejo ou a necessidade de complementar a renda.
Mudança demográfica e diversidade geracional
As projeções indicam que a transição demográfica continuará se intensificando. Em 2025, os idosos já respondiam por 16,6% da população brasileira (cerca de 35,2 milhões de pessoas), enquanto a parcela de jovens com menos de 30 anos recuou de 49,9% (em 2012) para 41,4%.
Essa nova realidade exige que as organizações adaptem suas estruturas para gerenciar equipes cada vez mais multigeracionais. Conforme aponta Marina Motta Pigatto, diretora de Expansão do Grupo Caburé Seguros, as prioridades mudam ao longo da carreira: enquanto os mais jovens buscam inserção e domínio tecnológico, profissionais maduros valorizam aspectos como saúde, flexibilidade, proteção financeira e planejamento a longo prazo.
Desafios e oportunidades corporativas
A permanência de profissionais seniores traz desafios estruturais e culturais para as empresas, destacando-se dois pontos centrais:
Saúde e ergonomia: A expansão da vida laboral exige que as companhias integrem a prevenção, o suporte médico contínuo e a ergonomia no centro de suas estratégias de RH e saúde corporativa.
Combate ao etarismo: O preconceito etário ainda representa uma barreira em processos seletivos e planos de carreira, limitando o aproveitamento de talentos experientes.
Por outro lado, a convivência entre diferentes gerações fomenta a troca de saberes. A familiaridade com novas tecnologias trazida pelos jovens complementa a memória institucional, a visão sistêmica e a capacidade de resolução de crises acumuladas pelos veteranos.
O patrimônio da experiência
Organizações que valorizam a longevidade profissional encontram na retenção de talentos uma vantagem competitiva. No próprio Grupo Caburé, por exemplo, mais de 60% dos colaboradores possuem mais de dez anos de casa, e 12% ultrapassam três décadas de dedicação. A preservação desse capital intelectual garante que a história e a inovação caminhem lado a lado no ecossistema corporativo.
Por Ataíde Barbosa/Foto: Imagem gerada por IA



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