Erro em nome leva homem inocente à prisão por oito dias em São Paulo
Um erro de grafia em um registro policial resultou na prisão injusta de Jabson Andrade da Silva, eletricista residente em São Paulo, que passou oito dias encarcerado após ser confundido com um homem de nome semelhante acusado de estupro na Bahia.
A confusão começou quando as autoridades baianas emitiram um mandado de prisão contra "Jabison Andrade da Silva", acusado por sua ex-companheira de ter abusado sexualmente da enteada entre 2008 e 2015. No entanto, ao digitar o nome no sistema, o "i" foi omitido, gerando a identificação equivocada de Jabson, que apesar de ser natural da Bahia, vive há anos na capital paulista com a esposa e duas filhas.
Mesmo negando o crime, Jabson foi surpreendido por policiais em sua casa e encaminhado a uma delegacia. Sem conseguir provar de imediato sua identidade correta, foi levado ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Pinheiros, após audiência no Fórum da Barra Funda.
Durante o período em que permaneceu preso, Jabson relata ter vivido uma experiência traumática. "Foi desumano. Rasparam minha cabeça, me trataram com descaso. Ninguém queria ouvir. Quando eu dizia que era inocente, me respondiam que todos dizem isso", contou ao portal G1.
O eletricista buscou amparo entre detentos evangélicos para manter a sanidade, mas a preocupação com a saúde da esposa, que estava em tratamento por problemas cardíacos, agravou ainda mais sua angústia.
Do lado de fora, sua família mobilizou esforços junto a advogados para provar o erro. Apresentaram documentos como carteira de trabalho, comprovantes de residência e até testemunhos que confirmavam que Jabson nunca teve uma enteada e que, na época dos crimes, trabalhava regularmente em São Paulo. A própria denunciante, ao ser contatada por meios de comunicação locais, reconheceu que Jabson não era o homem que ela havia denunciado.
Após a apresentação das provas, a Justiça reconheceu a falha e determinou a soltura de Jabson na terça-feira (15). O caso agora levanta questionamentos sobre falhas nos processos de identificação e a necessidade de mais rigor na verificação de dados antes de efetivar prisões.
Por Ataíde Barbosa/Foto: Reprodução / G1
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