Bolsonaro admite uso de ferro de solda para violar tornozeleira e pode ter prisão preventiva referendada pelo STF
A confirmação de que o ex-presidente Jair Bolsonaro danificou a própria tornozeleira eletrônica com um ferro de solda abriu um novo capítulo na crise jurídica que envolve o líder do PL. A admissão ocorreu durante abordagem de agentes penitenciários e foi registrada em vídeo divulgado pela Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal neste sábado (22). O equipamento, utilizado por determinação judicial desde agosto, em razão de medidas cautelares, apresentou alerta de violação na madrugada do mesmo dia.
Tentativa de violação admitida
Segundo relato da Seape, Bolsonaro afirmou aos agentes que utilizou um ferro de solda para aquecer e danificar a proteção externa da tornozeleira. Apesar de o dispositivo não ter sido totalmente rompido, a ação foi suficiente para acionar o sistema de segurança e levar à substituição do equipamento por volta de 1h09 da madrugada.
O alerta foi registrado às 0h07, quando o sistema detectou possível tentativa de desativação. A equipe encarregada da vigilância do ex-presidente foi acionada imediatamente.
Fontes próximas ao caso afirmam que Bolsonaro teria dito que realizou a ação “por curiosidade”. A defesa estuda argumentar que a atitude ocorreu durante um suposto episódio de instabilidade emocional.
Decisão de Moraes e sessão extraordinária
Após a Polícia Federal informar o ocorrido ao Supremo Tribunal Federal, o ministro Alexandre de Moraes determinou a prisão preventiva de Bolsonaro, entendendo que houve violação deliberada das condições impostas e risco concreto de fuga.
Moraes destacou ainda que manifestações convocadas por apoiadores poderiam servir de barreira à atuação das autoridades caso uma eventual evasão fosse tentada.
Para segunda-feira (24), uma sessão virtual extraordinária da Primeira Turma do STF foi convocada. O objetivo é referendar a decisão individual de Moraes e decidir se Bolsonaro permanecerá preso preventivamente.
Entenda os pontos centrais do caso
Violação registrada: 0h07 – sistema detecta interferência na tornozeleira.
Substituição do equipamento: 1h09 – após confirmação da escolta.
Admissão do ato: Bolsonaro confirma ter usado ferro de solda.
Medida judicial: conversão de prisão domiciliar em preventiva.
Sessão no STF: marcada para referendar decisão.
Repercussões políticas e jurídicas
O episódio fortalece a avaliação de que Bolsonaro desrespeitou uma determinação judicial e pode agravar sua situação processual. A tentativa de violação do monitoramento eletrônico é vista como ato grave, sobretudo por se tratar de ex-chefe de Estado submetido a controle judicial.
A eventual confirmação da prisão preventiva poderá impactar diretamente estratégias eleitorais, articulações políticas e o discurso de aliados.
O que vem a seguir?
Nos próximos dias, a defesa deve se manifestar oficialmente e poderá solicitar avaliação médica do ex-presidente. Já a decisão da Primeira Turma do STF deve definir se Jair Bolsonaro continuará preso ou se retornará ao monitoramento domiciliar.
Caso a prisão preventiva seja mantida, será um dos momentos mais decisivos da trajetória jurídica do ex-presidente.
Por Ataíde Barbosa/Foto: Aratu On




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