Em entrevista, deputada Kátia Oliveira destaca trajetória política, desafios na ALBA e fortalecimento da pauta feminina na Bahia
| Kátia Oliviera/Deputada Estadual |
A deputada estadual Kátia Oliveira (União Brasil) participou, nesta terça-feira (25), do programa Panorama de Notícias, na Rádio Simões Filho FM (87.9), onde fez um amplo balanço da sua atuação parlamentar, comentou sua trajetória desde a chegada à Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) em 2018 e discutiu temas como violência contra a mulher, oposição ao governo estadual e perspectivas para a eleição de 2026.
Recebida pelos apresentadores Ataíde Barbosa e Romário dos Santos, a parlamentar iniciou a entrevista agradecendo o apoio das lideranças locais e ressaltando a presença do ex-prefeito Diógenes Tolentino (Dinha) — seu marido e principal articulador político do grupo — além de vereadores aliados que acompanharam a agenda.
Da “esposa de Dinha” à liderança consolidada
Ao recordar sua primeira eleição, em 2018, quando conquistou pouco mais de 27 mil votos, Kátia afirmou que sua estreia na ALBA foi marcada pela necessidade de se impor politicamente num ambiente majoritariamente masculino.
Ela reconheceu que, à época, era conhecida sobretudo por ser esposa do então prefeito Dinha, mas ressaltou que transformou esse ponto de partida em motivação:
“Cheguei como a esposa do prefeito Dinha, sim, mas trabalhei muito para mostrar meu potencial e construir meu próprio espaço”, afirmou.
Quatro anos depois, em 2022, a deputada ampliou significativamente sua votação, alcançando mais de 80 mil votos no estado. Segundo ela, o crescimento é reflexo da atuação em comissões, frentes parlamentares e da proximidade com lideranças municipais em várias regiões da Bahia.
Atuação na defesa das mulheres e políticas de prevenção
A parlamentar destacou sua participação na Comissão dos Direitos da Mulher, na Frente Parlamentar do Idoso e na Procuradoria da Mulher, enfatizando que a defesa das mulheres é um eixo central de seu mandato.
Ela lamentou o aumento dos casos de feminicídio na Bahia e citou iniciativas de sua autoria, como:
Campanha Estadual Maria da Penha nas Escolas, voltada à conscientização de alunos e professores sobre prevenção à violência doméstica;
Lei Parada Segura, já em vigor em Salvador, que garante a mulheres, idosos e pessoas com deficiência o direito de desembarcar mais perto de seus destinos em horários de maior risco;
Proposições que obrigam bares, restaurantes e casas noturnas a oferecer amparo imediato a mulheres vítimas de assédio.
Kátia defendeu que políticas de segurança devem combinar repressão e prevenção:
“O Estado precisa investir em polícia, tecnologia e investigação, mas também em educação e conscientização. Crianças que crescem vendo violência acham que isso é normal — e não é.”
Oposição firme, mas “coerente”
Ao comentar sua posição política na ALBA, Kátia afirmou que integra a oposição ao governo estadual, mas sem adotar postura extremada.
“Eu sou oposição coerente. Não torço para que nada dê errado. O que for bom para o povo baiano terá meu voto”, disse.
A deputada criticou indicadores negativos do estado nas áreas de educação, segurança e emprego, defendendo mudanças estruturais e maior protagonismo do Legislativo na formulação de políticas públicas.
Papel de Dinha como orientador e parceiro político
Questionada sobre a presença mais próxima de Diógenes Tolentino em sua rotina parlamentar, após ele deixar a prefeitura, Kátia descreveu o ex-gestor como um “grande articulador” e “referência política”.
Ela disse que o marido é exigente e rígido nas cobranças, mas atribui a ele grande parte da força que sustenta seu trabalho:
“Não é fácil ser esposa de Dinha, ele cobra muito. Mas cobra porque sabe que posso mais.”
Presença feminina e novos espaços de poder
A deputada comemorou a ascensão de Ivana Bastos à presidência da ALBA, destacando o simbolismo de uma mulher comandar pela primeira vez o Legislativo baiano. Para Kátia, a conquista reforça que mulheres, quando têm oportunidade, “entregam resultados e transformam ambientes”.
Eleições 2026 e futuro político
Embora ainda evite falar abertamente sobre a próxima disputa, Kátia reconheceu que 2026 representará um cenário diferente, já que buscará a reeleição sem Dinha no exercício do cargo de prefeito de Simões Filho — fator que, segundo analistas locais, pesou nas campanhas anteriores.
Ainda assim, ela demonstrou confiança:
“Cada eleição é um processo novo, mas hoje tenho musculatura política, trabalho realizado na Bahia inteira e um grupo forte e comprometido.”
Compromisso renovado
Ao fim da entrevista, a deputada afirmou que continuará atuando “com garra, dedicação e fé”, representando tanto seu eleitorado histórico de Simões Filho quanto os novos municípios alcançados durante seu segundo mandato.
Por Ataíde Barbosa



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