Especialistas alertam: água de coco pode ser perigosa para pacientes renais e transplantados
Considerada por muitos um símbolo de saúde e hidratação, a água de coco pode representar um risco grave — e até fatal — para pessoas com insuficiência renal ou que receberam transplante de rim. A advertência é feita por especialistas da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) e por estudos publicados no Brazilian Journal of Nephrology, que chamam atenção para o alto teor de potássio presente na bebida.
De acordo com os especialistas, a ingestão excessiva do mineral em pessoas com função renal comprometida pode desencadear hipercalemia, condição caracterizada pelo aumento dos níveis de potássio no sangue e que pode levar à arritmia grave e parada cardíaca.
Por que a água de coco se torna um risco?
A SBN explica que a eliminação de potássio é feita principalmente pelos rins. Quando o órgão não funciona plenamente — como acontece em casos de doença renal crônica — ocorre um acúmulo do mineral na corrente sanguínea, interferindo diretamente no funcionamento elétrico do coração.
O artigo “Potássio e Bicarbonato”, publicado no Brazilian Journal of Nephrology, reforça que todos os pacientes renais devem ser avaliados rotineiramente para prevenir tanto a hipercalemia quanto a hipocalemia, devido ao alto risco cardíaco que acompanha as alterações nos níveis do mineral.
Em níveis elevados, o potássio provoca alterações no eletrocardiograma e pode deixar os batimentos mais lentos, irregulares e instáveis. Se o quadro evoluir, há possibilidade de colapso súbito.
Transplantados têm risco ainda maior
Para quem passou por transplante de rim, o cuidado com o potássio é redobrado. Medicamentos imunossupressores como tacrolimo e ciclosporina, essenciais para evitar rejeição do órgão, podem reduzir a capacidade de eliminação do mineral pelo novo rim, aumentando a chance de hipercalemia mesmo com ingestão aparentemente pequena.
Segundo a SBN, isso torna bebidas naturalmente ricas em potássio — como a água de coco — um possível gatilho para complicações graves.
Recomendações dos especialistas
Médicos e nutricionistas especializados em nefrologia orientam que pacientes renais e transplantados evitem água de coco, salvo se houver liberação explícita do profissional que acompanha o caso. Frutas, sucos, chás e outras bebidas também devem ser consumidos com orientação individualizada e baseados em exames recentes.
A hidratação adequada, para esse público, costuma incluir:
Água filtrada;
Chás claros sem adição de substâncias ricas em potássio;
Sucos de frutas com baixo teor de potássio, sempre com acompanhamento médico.
A vigilância laboratorial frequente é considerada essencial para manter a segurança e evitar crises.
Sintomas que exigem atenção imediata
Entre os sinais de possível excesso de potássio no organismo estão:
Fraqueza muscular;
Formigamentos;
Náuseas;
Batimentos irregulares;
Tonturas ou desmaios.
Em qualquer suspeita de emergência, o atendimento médico deve ser buscado sem demora.
Por Ataíde Barbosa/Foto: Here Asia | Shutterstock




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