Inep anula três questões do Enem 2025 após suspeita de vazamento; Polícia Federal abre investigação
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) anulou três questões do Enem 2025 após a circulação, nas redes sociais, de conteúdos semelhantes aos itens aplicados na prova deste domingo (16). As suspeitas de vazamento envolveram exercícios divulgados por um cursinho pré-vestibular do Ceará e levaram o órgão a acionar a Polícia Federal para investigar possível quebra de sigilo.
A polêmica começou a ganhar repercussão na noite de segunda-feira (17), quando estudantes notaram coincidências entre questões da prova de matemática e ciências da natureza e materiais publicados pelo estudante de Medicina Edcley Teixeira, de Sobral (CE). Criador de uma monitoria online, Edcley divulgou vídeos e apostilas com exercícios cuja estrutura, numeração e alternativas lembravam itens apresentados no exame oficial.
Em uma live feita no dia 11 de novembro — cinco dias antes da aplicação — o estudante mostrou atividades que, segundo participantes do Enem, eram “muito próximas” às do teste. Trechos de vídeo e capturas de tela passaram a circular nas redes sociais, alimentando suspeitas de um possível vazamento e pressionando o Ministério da Educação e o Inep a se pronunciarem.
Inep reconhece semelhanças e decide pela anulação
Em nota divulgada nesta terça-feira (18), o Inep afirmou que as questões apresentadas publicamente “não eram integralmente idênticas” às do Enem, mas apresentavam “similaridades pontuais” capazes de comprometer a lisura do processo. Após uma análise técnica interna, a equipe responsável optou pela anulação de três itens para preservar a credibilidade da avaliação.
“Ao identificar relatos de antecipação de questões similares às do Enem 2025, a equipe técnica analisou as circunstâncias e decidiu pela anulação de três itens aplicados”, informou o instituto. O órgão reforçou ainda que os protocolos de sigilo do Banco Nacional de Itens (BNI) foram seguidos e que a investigação da PF buscará esclarecer a origem e as circunstâncias da divulgação.
Polícia Federal apura se houve acesso indevido ao banco de questões
A Polícia Federal já iniciou procedimentos preliminares para verificar se houve violação ao banco de itens ou se as coincidências podem ser explicadas por semelhanças metodológicas comuns em materiais preparatórios. A apuração também deve avaliar a eventual participação de terceiros na circulação dos conteúdos e se houve intenção de obter vantagem ou manipular o desempenho de candidatos.
Até o momento, não há confirmação de que qualquer questão tenha sido extraída diretamente do BNI. No entanto, a possibilidade de quebra de sigilo motivou a abertura de inquérito por parte da corporação.
Repercussão entre estudantes e impactos no exame
Nas redes sociais, participantes do Enem demonstraram preocupação com a segurança do processo seletivo e pediram transparência nas investigações. Para muitos, a anulação das três questões levanta dúvidas sobre o impacto na nota final e no cálculo da TRI, sistema que ajusta o peso das respostas conforme o grau de dificuldade.
O Inep, porém, informou que a retirada de itens é prevista pelas normas do exame e não compromete o resultado geral.
Enquanto a investigação segue, o episódio reacende o debate sobre a proteção do BNI e a necessidade de reforço nos mecanismos de controle de acesso aos itens.
Por Ataíde Barbosa/Foto: Reprodução/Inep




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