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MP-RJ recorre e pede reversão da absolvição dos réus pelo incêndio no Ninho do Urubu


O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) apresentou, nesta terça-feira (11), um recurso contra a decisão judicial que absolveu todos os réus no caso do incêndio ocorrido no Ninho do Urubu, centro de treinamento do Flamengo, em 2019. A tragédia deixou dez jovens atletas mortos e três feridos, e voltou a gerar comoção e debate sobre a responsabilização do clube e de seus dirigentes.

No documento encaminhado à Justiça, o MP-RJ afirma que uma série de negligências e omissões transformaram o alojamento dos meninos em um “ambiente de morte”, e pede que a sentença absolutória seja revertida. O órgão também solicita o reconhecimento da responsabilidade penal do ex-presidente do clube, Eduardo Bandeira de Mello, ainda que a punibilidade esteja extinta, em respeito à memória das vítimas e ao direito à verdade.

Pedido de condenação

O recurso pede a condenação dos sete réus absolvidos em primeira instância, entre eles dirigentes do Flamengo, engenheiros e prestadores de serviço. Segundo o Ministério Público, todos contribuíram, direta ou indiretamente, para as falhas estruturais e operacionais do alojamento improvisado em contêineres metálicos, e suas condutas configuram negligência grave e previsível.

Na esfera cível, o MP-RJ também requer que as famílias dos dez mortos e dos três feridos sejam indenizadas com valores proporcionais à gravidade do caso, à repercussão nacional da tragédia e à capacidade financeira dos envolvidos. O Flamengo é apontado como responsável solidário por todos os pagamentos.

Falhas e omissões

Entre as irregularidades citadas no recurso estão o uso de contêineres inflamáveis como dormitórios, a ausência de certificação do Corpo de Bombeiros, falta de sistemas de combate a incêndio, janelas gradeadas, fiação elétrica precária e instalação irregular de aparelhos de ar-condicionado.

Para o MP-RJ, o conjunto desses fatores evidencia um “descanso institucionalizado” com a segurança dos atletas e dispensa a necessidade de identificar a faísca exata que deu início ao incêndio.
Próximos passos

Ainda não há data definida para o julgamento do recurso. Os réus serão notificados para apresentar suas respostas antes que o caso volte a ser analisado pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

A tragédia do Ninho do Urubu, completando quase seis anos, permanece como uma das páginas mais dolorosas do esporte brasileiro, e o novo recurso reacende a discussão sobre responsabilidade, impunidade e segurança na formação de atletas.




Por Ataíde Barbosa/Foto: Reprodução/TV Globo

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