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Pai de vereador assassinado em Santo Amaro levanta hipótese de disputa entre sócios como motivação do crime


O assassinato do vereador Gleiber da Mota Fernandes, conhecido como Gleiber Júnior, e de seu assessor Diego Castro Reis, na madrugada de domingo (9), em Santo Amaro, no Recôncavo Baiano, segue sem explicações. 

Enquanto a Polícia Civil investiga o caso, o pai do parlamentar, Gleiber Favela, que também já foi vereador da cidade por cinco mandatos, afirmou acreditar que o crime pode estar relacionado a conflitos com sócios de uma empresa recentemente aberta pelo filho.

“Eu estou meio cabreiro com isso porque ele tem sócios. Não estou acusando ninguém, mas esse negócio dos sócios dele que ele abriu a empresa agora, não sei qual é a sociedade dele. Ele foi um dia desses vender uma fazenda em Euclides da Cunha”, declarou o ex-vereador em entrevista à TV Bahia.

Favela também contou que o filho não costumava compartilhar detalhes sobre sua vida financeira. 

“Meu filho não passava para mim algumas coisas”, disse.

O crime aconteceu em uma casa da família, às margens da BA-420, na zona rural de Santo Amaro. De acordo com informações preliminares, Gleiber e Diego foram mortos a tiros enquanto dormiam. A perícia da Polícia Técnica foi realizada na manhã de segunda-feira (10), mas até o momento não há detalhes sobre a dinâmica dos disparos nem suspeitos identificados.

Horas antes do crime, o vereador participou da inauguração de uma loja de veículos em Feira de Santana e, mais tarde, apareceu em uma confraternização ao lado do assessor, segundo publicações em suas redes sociais. Ambos retornaram juntos para o sítio na noite de sábado (9), onde foram encontrados mortos.
Envolvimentos e histórico judicial

Reeleito em 2024 com cerca de 956 votos, Gleiber Júnior era uma figura conhecida e controversa na política de Santo Amaro. O parlamentar acumulava passagens pela polícia e registros de processos judiciais. Segundo o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), ele já havia sido investigado por ameaça, invasão de propriedade privada e receptação — este último crime motivou uma prisão em flagrante em 2019, na cidade de Feira de Santana. Gleiber foi liberado após pagar uma fiança de R$ 7 mil.

Em outro episódio, o vereador foi denunciado por ameaçar um motorista e duas mulheres após colidir propositalmente com o carro da vítima. O caso, porém, foi arquivado pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) em 2022 por falta de provas.

Mais recentemente, em 2024, ele foi acusado de invadir uma fazenda entre Euclides da Cunha e Canudos, onde teria ameaçado o caseiro e alegado falsamente ser o proprietário do terreno. A Justiça rejeitou os documentos apresentados por Gleiber e determinou a reintegração de posse à verdadeira dona da propriedade.

Empresa e suspeitas

Dados do Serasa Experian indicam que o vereador era titular da empresa ME Gleiber Jr Comércio e Serviços, aberta em 2013 e ainda ativa, com foco no comércio de pneus e câmaras de ar. Não há registros de uma nova empresa aberta em nome do parlamentar, como mencionou o pai.

A Polícia Civil informou que a Delegacia Territorial de Santo Amaro está à frente das investigações e que trabalha com todas as hipóteses possíveis, incluindo motivações políticas, pessoais e financeiras.

Enquanto o caso segue sem solução, a população de Santo Amaro permanece em choque com a execução do vereador e de seu assessor — um crime que expõe as tensões e os conflitos que ainda permeiam a política local.





Por Ataíde Barbosa/Foto: Divulgação

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