Brasil registra nova queda nos nascimentos em 2024 e completa seis anos de desaceleração na natalidade
O Brasil voltou a registrar queda no número de nascimentos em 2024, ampliando uma tendência de desaceleração que já dura seis anos. Os dados fazem parte das Estatísticas do Registro Civil, divulgadas nesta quarta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e confirmam que o país atravessa uma mudança demográfica profunda e acelerada.
De acordo com o levantamento, 2,37 milhões de nascimentos foram registrados ao longo de 2024 — número consolidado até o primeiro trimestre de 2025. O volume representa 146,3 mil crianças a menos do que no ano anterior, uma retração de 5,8% em relação a 2023. Quando comparado ao período pré-pandemia, entre 2015 e 2019, a queda alcança 17,1%, sinalizando que a redução não é pontual, mas estrutural.
Pandemia acelerou mudança no comportamento reprodutivo
O IBGE atribui o resultado à combinação entre o declínio histórico da fecundidade no país e os reflexos prolongados da pandemia de Covid-19. Para pesquisadores, a crise sanitária provocou impactos que vão desde o adiamento da maternidade até mudanças nas bases econômicas das famílias brasileiras.
— A pandemia não criou a tendência, mas certamente acelerou o processo, explica a demógrafa fictícia Mariane Souza, especialista em dinâmica populacional. Os casais passaram a adiar planos diante da instabilidade econômica, da insegurança sanitária e da dificuldade de acessar serviços de saúde reprodutiva.
Além disso, o aumento do custo de vida e a percepção de incerteza sobre o futuro colaboraram para uma revisão geral de projetos familiares.
Efeitos no longo prazo preocupam especialistas
Com menos crianças nascendo e uma população que envelhece rapidamente, o Brasil entra em uma fase semelhante à já vivida por países de alta renda. Esse cenário deve pressionar áreas como previdência, mercado de trabalho e políticas de cuidado.
Segundo o economista demográfico Carlos Mota, também citado ficticiamente, o país precisa se preparar para um novo desenho social:
— Estamos diante de uma transição demográfica irreversível. A queda na natalidade vai exigir políticas públicas de longo prazo, voltadas tanto para a sustentabilidade do sistema previdenciário quanto para o incentivo à parentalidade e ao acesso a creches.
Desafio é transformar dados em políticas
Enquanto o número de nascimentos cai ano após ano, governos municipais, estaduais e federal terão de lidar com as consequências desse novo perfil populacional. A curto prazo, a queda pode reduzir a demanda por serviços de educação infantil; a médio e longo prazos, tende a impactar a força de trabalho e a estrutura econômica.
O IBGE deve atualizar os dados ao longo de 2025, mas a tendência já é clara: o país está diante de uma mudança demográfica histórica, cujos efeitos se estenderão pelas próximas décadas.
Por Ataíde Barbosa/Foto: Lisa Fotios/Pexels




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