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Jackson Bomfim detalha retorno à sala de aula, rupturas políticas e cenário eleitoral de Simões Filho


Em entrevista concedida ao Panorama de Notícias na tarde desta quarta-feira (10), o ex-vereador e ex-secretário de Mobilidade Urbana Jackson Franklin Bomfim falou sobre a vida após o mandato, avaliou o desempenho nas eleições de 2024, comentou o rompimento com o grupo do ex-prefeito Diógenes Tolentino e analisou o futuro político do município, incluindo a projeção para a reeleição da deputada estadual Kátia Oliveira em 2026.

Retorno ao magistério: “Vereador você está, professor eu sou”

Servidor concursado, Jackson afirmou viver com tranquilidade a rotina fora do poder. De volta à Escola Municipal Diácono Fernando Brito , onde leciona História, Sociologia e Filosofia, ele descreveu a experiência como um reencontro com sua vocação.

“Estou feliz. Sempre entendi que mandato é passageiro. Professor eu sou. A política é parte da minha vida, mas não define minha profissão”, disse.

Segundo ele, o retorno ao ambiente escolar surpreendeu alguns, mas reforçou sua capacidade de separar vida pública e carreira acadêmica.

Derrota eleitoral sem ressentimentos

Ao revisar o resultado das eleições de 2024, Jackson disse não guardar mágoas. Ele teve pouco menos de 1.500 votos, mas o PMN — partido que ajudou a estruturar — não alcançou o coeficiente necessário para garantir uma cadeira na Câmara.

“A eleição é simples: alguém vence, alguém perde. Fiquei satisfeito com minha votação, mas faltaram 480 votos para o partido atingir o número exigido. A responsabilidade não é de Romário, nem de Ataíde, nem de ninguém”, afirmou.

Ele declarou ainda que, caso tivesse permanecido no PSD, estaria reeleito, mas evitou a articulação pelo risco de criar tensões internas.

“O partido estava lotado de candidatos. Tinha quem não aceitasse concorrer com um vereador de mandato.”

Críticas à gestão anterior e questionamentos sobre o Fundeb

Jackson elevou o tom ao comentar o uso de recursos da educação nos últimos anos da gestão passada. Segundo ele, a ex-secretária Marisa, sua aliada política, deixou R$ 24,7 milhões em saldo do Fundeb, dos quais R$ 15 milhões estavam destinados à construção de três creches que não foram concluídas.

“O dinheiro sumiu e as creches não foram entregues. A sociedade precisa dessa resposta”, cobrou.

Ele também contestou a atual administração sobre o uso de 91% do Fundeb na folha, o que impediria rateio aos professores. 

“Enquanto estivemos na gestão, havia saldo. O que mudou de lá para cá só a atual secretária pode explicar.”

Rompimento com o grupo de Diógenes: projeto político inconciliável

O ex-vereador explicou ainda os motivos do distanciamento em relação ao grupo do ex-prefeito Diógenes. Jackson classificou o processo como natural e sem ruptura pessoal, mas afirmou que divergências políticas tornaram a permanência insustentável.

Ele disse ter aconselhado o candidato governista Del, em 2024, a não buscar aproximação com o grupo de Dinha. 

“Seria desgaste desnecessário. Ele me chamou para coordenar a campanha, mas naquele momento nossas visões já eram diferentes.”

Segundo Jackson, a saída foi motivada pela construção de um novo projeto político que permita, no futuro, a viabilidade de uma candidatura majoritária da professora Marisa. 

“Nosso projeto não cabia mais naquele espaço.”

Análise: reeleição de Kátia Oliveira tende a ser difícil

Jackson também comentou o cenário da deputada estadual Kátia Oliveira, avaliando que sua reeleição em 2026 não será simples.

“Hoje, falar em reeleição dela é complicado. Muitos vereadores já demonstram apoio a outros candidatos. E teremos nomes fortes entrando no jogo: o ex-prefeito Elinaldo, Pitágoras e outras figuras, inclusive do próprio União Brasil, partido da deputada. Não será uma disputa tranquila. Mas ainda é cedo para cravar qualquer cenário”, observou.

Futuro político: oposição firme até 2028

Ao final da entrevista, Jackson reafirmou que continuará atuando politicamente no município. Ele mantém posição de oposição e disse que o grupo está construindo um novo projeto para os próximos ciclos eleitorais.

“Vamos seguir na oposição até 2026 e até 2028. Teremos candidato a prefeito, a vice, e vamos continuar dialogando com a imprensa e com a população. Se Del vier para a oposição, será recebido de braços abertos. Se continuar na situação, respeitaremos. Mas nosso caminho está definido”, concluiu. 




Por Ataíde Barbosa

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