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Depois de anos de ataques, Débora Régis reabre as portas da prefeitura para empreiteira aliada de Moema


A relação entre a empreiteira Pejota Construções e a prefeitura de Lauro de Freitas ganhou um novo capítulo que tem provocado ruído nos bastidores políticos do município. A empresa, conhecida por ter sido uma das principais parceiras da ex-prefeita Moema Gramacho (PT), voltou a firmar contrato com a gestão municipal — desta vez sob comando da rival histórica da petista, a atual prefeita Débora Régis (União Brasil). O acordo, publicado na última quinta-feira (4), prevê obras de drenagem no valor de R$ 12,2 milhões.

A recontratação reacendeu debates sobre o passado recente da empreiteira. Durante os dois mandatos de Moema, entre 2017 e 2024, a Pejota virou alvo frequente da então oposição na Câmara — oposição essa liderada justamente por Débora Régis. As denúncias da época apontavam supostos pagamentos por serviços que não teriam sido executados conforme previsto nos contratos. Agora, parte desses críticos assiste com surpresa ao retorno da empresa ao rol de fornecedores da atual administração.

Crescimento meteórico em contratos

Um levantamento realizado pelo Metropolítica no portal da transparência mostra que a Pejota recebeu aproximadamente R$ 51 milhões em repasses da prefeitura nos últimos nove anos. Nos dois primeiros anos da gestão Moema, os pagamentos foram relativamente modestos, somando R$ 2,38 milhões em 2017 e R$ 3,04 milhões em 2018. Mas o cenário mudou rapidamente: em 2019, o montante saltou para R$ 8,4 milhões.

O maior pico ocorreu em 2020, ano eleitoral em que Moema disputou e venceu a reeleição. Somente naquele período, a Pejota recebeu R$ 18,6 milhões — a maior parte entre janeiro e junho, pouco antes do início oficial da campanha. A coincidência temporal alimentou críticas da oposição, que acusava a gestão de utilizar obras como plataforma eleitoral.

Desaceleração e retorno

Após o auge de 2020, a movimentação financeira da Pejota com a prefeitura caiu de forma acentuada: R$ 9,4 milhões em 2021; R$ 2,1 milhões em 2022; R$ 1,4 milhão em 2023; e R$ 3,7 milhões em 2024. Já na administração de Débora Régis, houve apenas um pagamento — realizado em 5 de fevereiro de 2025, no valor de R$ 1,7 milhão. Desde então, não foram registrados novos repasses até a publicação do contrato de R$ 12,2 milhões nesta semana.

O retorno da Pejota à cena municipal provocou reações. Ex-aliados da prefeita, como o advogado Gustavo Ferraz (União Brasil), que rompeu politicamente com Débora em maio, criticaram duramente a decisão. Ferraz, que pediu demissão da Superintendência de Trânsito e Transportes, tem reforçado o discurso de que a prefeita estaria repetindo práticas que antes criticava.

Atuação consolidada no setor público

Fundada em 1999 pelo empresário Pedro de Araújo, a Pejota Construções construiu uma trajetória marcada pela presença constante em contratos públicos de grande porte. Além de Lauro de Freitas, mantém vínculos com prefeituras como Salvador, Feira de Santana, Camaçari e Mata de São João. A empresa também figura como fornecedora de importância para órgãos do governo estadual, como a Conder.

O retorno da construtora ao ambiente administrativo de Lauro de Freitas deve seguir repercutindo. No cenário político local, a recontratação se tornou símbolo de uma contradição incômoda: a prefeita que denunciava a empresa agora depende dela para executar uma das principais obras estruturais do começo de sua gestão. Resta saber se o contrato trará resultados capazes de neutralizar as críticas — ou se abrirá mais uma frente de desgaste na já movimentada política da cidade.





Por Ataíde Barbosa/Foto: Divulgação/União Brasil

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