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Acusados de mandar e executar morte de Mãe Bernadete enfrentam júri popular em Salvador


Quase três anos após o crime que chocou a Bahia e ganhou repercussão nacional, dois dos denunciados pelo Ministério Público da Bahia pelo assassinato da ialorixá e liderança quilombola Maria Bernadete Pacífico Moreira, conhecida como Mãe Bernadete, serão julgados em júri popular nesta terça-feira (24).

A sessão está marcada para as 8h, no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador, após solicitação da defesa. De acordo com a Justiça, há possibilidade de o julgamento se estender até a quarta-feira (25), em razão da complexidade do caso.

Sentam no banco dos réus o apontado como mandante do crime, Marílio dos Santos, e um dos executores, Arielson da Conceição Santos. Ambos respondem por homicídio qualificado, com agravantes como motivo torpe, emprego de meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima e uso de arma de fogo de uso restrito. Arielson também responde por roubo. Outros três denunciados no processo serão julgados em data posterior.

Mãe Bernadete foi assassinada em 17 de agosto de 2023, dentro da própria residência, na comunidade do Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na Região Metropolitana da capital. Ela foi atingida por 25 disparos, em um ataque que ocorreu na presença de três netos adolescentes.

A violência do crime, cometida dentro de um espaço simbólico de organização e proteção da comunidade quilombola, provocou forte comoção pública. Investigações conduzidas pela Polícia Civil da Bahia apontaram que a motivação estaria relacionada à atuação firme da líder contra a expansão do tráfico de drogas na região.

O julgamento é acompanhado com expectativa por movimentos sociais, lideranças comunitárias e defensores dos direitos quilombolas, que aguardam responsabilização pelo assassinato de uma das principais vozes de resistência da comunidade.





Por Ataíde Barbosa/Foto: Reprodução Redes Sociais

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