Lançamento diário de esgoto sem tratamento agrava poluição e expõe déficit histórico de saneamento na Bahia
Um levantamento recente aponta que, ao longo de 2024, mais de 780 milhões de litros de esgoto sem tratamento foram despejados diariamente em rios, córregos e áreas costeiras da Bahia. Os dados fazem parte do estudo “Benefícios Econômicos da Expansão do Saneamento na Bahia”, elaborado pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a EX ANTE Consultoria.
O impacto direto desse volume de resíduos aparece nos índices de qualidade das águas. Segundo o mais recente boletim de balneabilidade divulgado pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), há atualmente 110 pontos considerados impróprios para banho no estado. Em Salvador, por exemplo, apenas uma praia apresenta condições adequadas em determinados períodos.
Especialistas apontam relação direta entre a poluição e a deficiência no tratamento de esgoto. O crescimento populacional em áreas urbanas e turísticas aumenta a geração de resíduos, que muitas vezes são lançados no ambiente sem tratamento adequado. Com isso, rios e mares recebem uma carga de poluentes superior à capacidade natural de depuração, ampliando a contaminação e os riscos à saúde.
Os dados também revelam que 58,4% da população baiana ainda não tem acesso à rede geral de esgoto — índice superior à média nacional. O acesso à água tratada também é limitado: cerca de 2,8 milhões de pessoas vivem em residências sem abastecimento adequado, o equivalente a quase um quinto da população do estado.
Apesar do cenário preocupante, houve avanços nas últimas duas décadas. Milhões de moradores passaram a contar com água tratada e coleta de esgoto, e o número de domicílios sem banheiro caiu de forma significativa. Ainda assim, especialistas destacam que saneamento envolve um conjunto mais amplo de serviços, incluindo drenagem urbana e manejo de resíduos sólidos — fatores essenciais para a qualidade de vida e para a saúde pública.
A ausência desses serviços contribui para a propagação de doenças transmitidas pela água contaminada, como diarreias, leptospirose e esquistossomose, além de afetar o desenvolvimento infantil, o desempenho escolar e a produtividade econômica da população.
O estudo também aponta que a universalização do saneamento, prevista até 2040 pelo marco legal do setor, pode gerar benefícios econômicos expressivos, especialmente para o turismo. Com melhores condições ambientais, praias e destinos naturais tendem a se tornar mais atrativos, ampliando receitas e fortalecendo a economia regional.
Para que a meta seja alcançada, especialistas defendem aumento dos investimentos e maior prioridade das políticas públicas voltadas à ampliação da coleta e do tratamento de esgoto, considerados passos essenciais para reduzir a poluição e melhorar as condições de vida da população baiana.




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